Entrar no jogo FatedWays
BGENRUDEFRESITPT
FatedWays
O Jogo da Alma

O corpo sabe antes das palavras

Porque é que a tensão escolhe os ombros, a garganta ou o estômago, o que nos pode indicar o lugar onde a sentimos e quando é altura de procurar um médico.

Para baixo
← Blogue

Há manhãs em que, ainda antes do café, o corpo já disse o que pensa do dia. O pescoço recusa-se a virar para a esquerda, o maxilar parece ter passado a noite em negociações com os dentes, e o estômago recebeu a notícia do dia que aí vem umas horas antes de nós. O primeiro pensamento vai normalmente para a almofada, depois para o tempo, a cadeira, o computador e aquela promessa de começarmos a mexer-nos mais a partir de segunda. Ao meio-dia, porém, lembramo-nos de que ontem era a conversa que adiamos há três semanas, ou de que daqui a uma hora vamos ver alguém depois de quem voltamos sempre para casa com dor de cabeça. O corpo tem esse curioso hábito de reagir enquanto a cabeça ainda reúne argumentos de que está tudo bem.

A razão é bem real. Quando o sistema nervoso sente uma ameaça ou uma pressão forte, os músculos contraem-se, a respiração muda, a atenção aguça-se, e a digestão também pode juntar-se à operação geral. Para um encontro com um urso esta organização é excelente. Para uma mensagem do chefe a dizer «amanhã de manhã quero falar contigo» é bastante mais incómoda, porque não há urso, não há floresta, e o organismo já decidiu que se aproxima um acontecimento de importância nacional. Se situações destas se repetem durante meses, a pessoa começa a tomar a tensão pelo seu estado normal. Diz «eu sou assim», até que um dia o massagista anuncia que os ombros subiram quase até às orelhas e que pelos vistos há muito se esqueceram de onde é o lugar deles.

Há, no entanto, um limite importante que merece ficar claro. Perante dor nova, forte ou prolongada, perante formigueiro, febre, perda de peso inexplicada, pressão no peito, dificuldade em respirar, fraqueza súbita ou uma sensação que verdadeiramente te preocupa, a direção é o médico. O mesmo vale quando estamos convencidos de que a causa é o stress. Depois de o lado médico estar verificado, pode olhar-se também para a outra parte do quadro: o que se passa na vida precisamente nos dias em que o corpo reage desta maneira.

O mais útil é procurar o padrão pessoal. Uma pessoa cerra o maxilar nas semanas com muito trabalho, outra fá-lo antes dos encontros com a mãe, uma terceira depois das conversas em que diz «sim» enquanto tudo nela quer dizer «não». A mesma sensação pode ter uma história completamente diferente em pessoas diferentes. Por isso as tabelas prontas com o «significado» de cada parte do corpo raramente dão tanto como a própria observação. A repetição é mais interessante do que o símbolo.

A garganta, o pescoço e o maxilar

Esta zona chama muitas vezes a atenção em períodos em que nos controlamos mais do que o costume. Imagina uma mulher que há semanas quer pedir uma mudança no trabalho. No carro ensaiou a conversa lindamente. Tem argumentos, sabe o que quer, até imaginou como vai acabar a reunião. Entra no gabinete da responsável e sai dez minutos depois, tendo falado do tempo, do horário dos colegas e da máquina de café nova. Sobre o seu próprio pedido disse apenas: «Não faz mal, falamos noutra altura.» À noite o maxilar dela está tão cerrado que só então se dá conta de quanto calou durante o dia.

Algo parecido acontece nas relações. Um homem chega a casa zangado depois de uma conversa com a companheira, mas decide não começar uma discussão. No dia seguinte volta a calar-se. Uma semana depois já não sabe o que exatamente o irritou, mas o pescoço está rígido todas as noites depois das oito. A pergunta pode então ser muito simples: que frase continuo a adiar e o que me custa este adiamento?

Os ombros e a parte alta das costas

Os ombros dão sinal muitas vezes em períodos em que a vida se encheu de mais responsabilidades do que uma pessoa consegue realmente levar com leveza. Trabalho, filhos, um pai idoso, a casa, uma amiga em crise, um colega que outra vez não acabou a parte dele, e alguém próximo que telefona com as palavras «só tu me consegues perceber». O dia tem vinte e quatro horas, mas de nós esperam-se pelos vistos umas trinta e sete.

O exemplo clássico é a pessoa que diz sempre: «Alguém tem de fazer isto.» Com o tempo torna-se claro que esse alguém é suspeitosamente vezes de mais ela própria. Se a tensão nos ombros aumenta precisamente nessas semanas, é útil olhar para qual obrigação é tua, qual assumiste por culpa e qual simplesmente ficou contigo porque os outros se habituaram à ideia de que a farás.

O peito e a respiração

Há períodos em que uma pessoa funciona lindamente vista de fora. Trabalha, paga as contas, responde às mensagens, compra pão, organiza toda a gente à sua volta e ainda arranja tempo para perguntar aos outros como estão. Os próprios sentimentos, esses, acabam algures no fim da lista. Depois de uma perda, de uma separação, de uma pressão forte ou de tarefas a mais, a respiração pode ficar mais curta e a sensação no peito mais intensa. Perante dor, pressão ou falta de ar, a avaliação médica é importante. Depois de excluída a causa médica, vale a pena olhar para o que se passa na vida no mesmo período.

Imagina uma mulher que cuida de um pai doente, trabalha a tempo inteiro e à noite regressa à sua família. Toda a gente lhe pergunta como está a mãe, como vai o trabalho, como estão os filhos. Quase ninguém lhe pergunta como está ela. Um dia repara que respira mais livremente só quando sai sozinha para passear o cão. É um pormenor pequeno, e são muitas vezes estes pormenores que levam à pergunta importante: em que altura do dia há lugar também para mim?

O estômago e a boca do estômago

O estômago tem uma relação especial com a espera e a incerteza. Esperas uma resposta depois de uma entrevista, a decisão de um banco, a chamada de alguém, o resultado de uma conversa importante ou o parecer de quem determina o teu passo seguinte. O controlo é pouco, o peso é grande, e o estômago decidiu claramente não ficar de fora.

Imagina alguém que se candidatou a um trabalho novo. De cada vez que o telefone toca, sente um aperto na boca do estômago. Ao fim de três dias começa a verificar o correio de cinco em cinco minutos, e à noite já pensa no que fará se ficar com o lugar, no que fará se não ficar e no que poderá significar ainda ninguém ter telefonado. Num momento assim ajuda muito uma pergunta simples: o que depende realmente de mim hoje? Pode depender enviar mais uma candidatura, telefonar a uma pessoa concreta ou preparar o passo seguinte. A decisão do outro lado está já fora das minhas mãos.

A zona lombar e a parte baixa das costas

A zona lombar aguenta uma carga física séria, por isso a postura, o movimento, a musculatura e as causas médicas contam sempre. O pano de fundo da vida também pode dar uma pista útil. Imagina uma família que muda de casa, paga duas rendas num só mês, espera um novo contrato de trabalho e em paralelo mete metade da vida em caixas. Se for precisamente então que um dos dois sente a zona lombar mais tensa, não é preciso procurar simbologia complicada. Basta ver quanta incerteza, quanto esforço físico e quanta responsabilidade se juntaram no mesmo período.

Outro exemplo é uma pessoa que há meses não sabe se ficará no seu emprego. Todas as conversas com a direção começam com «vamos ver no mês que vem». Ao terceiro mês assim, o corpo vive já em estado de prontidão permanente. A pergunta que pode ajudar é: o que me daria mais apoio já agora, ainda antes de chegar a resposta definitiva?

O baixo ventre

Esta zona exige uma avaliação médica particularmente atenta, porque as causas de desconforto podem ser muitas. Depois de verificado o lado da saúde, pode olhar-se também para o modo como a pessoa vive este período. Há lugar para o prazer, a proximidade, o descanso, o desejo, um ritmo próprio?

Muita gente sabe adiar-se a si própria lindamente. Depois do projeto descanso. Depois das obras começo a cuidar mais de mim. Quando o filho acabar o ano letivo, saio mais vezes. Depois deste mês vou até ao mar. Depois vem outro mês, um projeto novo, uma preocupação nova, e de repente passaram três anos. O corpo é muitas vezes um bom motivo para nos perguntarmos quando foi a última vez que fizemos algo porque nos dá prazer, e não porque é útil, necessário ou esperado.

A cabeça, as têmporas e os olhos

A cabeça tem um talento que se manifesta com mais força por volta das três da manhã. É precisamente aí que o cérebro decide que é boa altura para analisar uma conversa da quarta-feira passada, o orçamento até ao fim do ano, o futuro da relação e a razão pela qual alguém escreveu «está bem» em vez de «está bem :)». Meia hora depois já construímos sete cenários possíveis, e em cada um deles alguém tem de dar uma resposta que na realidade ainda não deu.

A isto juntam-se as horas em frente ao ecrã, a falta de movimento e o sono em atraso. Se as dores de cabeça ou a tensão se repetem, a avaliação médica é importante. Depois pode seguir-se também o ritmo mental. Há uma ação real que eu possa fazer, ou estou a pensar o mesmo pensamento com outra roupa? Esta pergunta é espantosamente útil, porque a mente apresenta de bom grado a repetição como trabalho.

A hora do dia também é uma pista

Uma pergunta muito interessante é quando a sensação fica mais forte. Se aparece de manhã ainda antes de te levantares, olha para o que esperas do dia. Pode ser segunda-feira, pode ser o dia da reunião semanal, pode ser a manhã em que deixas o teu filho num sítio onde ele não se sente bem. Se a tensão cresce antes de um encontro com uma pessoa concreta, a relação merece atenção. Se chega à noite, quando finalmente te sentas, o dia foi provavelmente tão cheio que o corpo esperou pelo primeiro minuto livre para ser notado.

Uma mulher pode ter dores de cabeça todas as quartas-feiras por volta das quatro da tarde. No início culpa o ar condicionado do escritório. Umas semanas depois repara que é justamente à quarta às três que há a reunião de equipa em que quase sempre fica com trabalho extra. Noutro caso alguém sente o aperto no estômago só ao serão, porque é então que espera a chamada de um parceiro com quem as coisas estão incertas. A hora por si só não dá a resposta, e mesmo assim aponta muitas vezes para a cena que vale a pena olhar.

Sete dias de observação podem dizer muito

Não é preciso um diário especial, nem uma aplicação nova, nem um conjunto de cadernos que depois nos olharão com censura da mesa de cabeceira. Basta anotar durante sete dias quatro coisas: onde sentes a tensão, quão forte é de um a dez, o que aconteceu na última hora e em que estavas a pensar mesmo antes.

Ao fim de uma semana lê os apontamentos de uma vez. Podes descobrir que o maxilar cerra depois das conversas com uma mesma pessoa. Podes ver que os ombros estão mais tensos nos dias em que não saíste do escritório para almoçar. Ou que o estômago reage sempre que esperas uma resposta ligada a dinheiro. Uma pessoa pode reparar que nas férias as dores de cabeça quase desaparecem, e outra descobrir que é justamente nos dias de folga que a sensação aumenta, porque é então que fica finalmente sozinha com os seus pensamentos. O padrão pessoal vale muito mais do que qualquer regra geral.

O que ajuda enquanto percebes a causa

O corpo gosta de coisas completamente vulgares. Sono, refeições a horas, água, movimento, um duche quente, uma caminhada, uma mudança de posição, uma pausa do ecrã e alguns minutos de respiração mais lenta. Ajuda também a conversa com alguém diante de quem podes dizer como estás sem corrigir cada palavra para pareceres lindamente organizada.

Age com força também o nomear do próprio assunto. «Estou cansada disto.» «Tenho medo dessa conversa.» «Esta espera esgota-me.» «Assumi mais do que consigo.» «Tenho saudades desta pessoa.» «Quero outro ritmo.» A frase não resolve uma vida inteira em dois minutos, e muitas vezes mostra por onde tem de começar a mudança.

Se uma mesma tensão volta durante meses à volta de um mesmo assunto, o dia a dia precisa provavelmente de movimento também. Uma conversa, um limite, a devolução de uma obrigação alheia, ajuda, mais descanso, uma decisão que se adia, ou uma nova maneira de distribuir o teu tempo. Uma massagem pode soltar os ombros lindamente para essa noite. Se na manhã seguinte voltares a assumir o trabalho do departamento todo, os ombros muito provavelmente vão lembrar-se depressa do horário antigo.

A psicossomática estuda a ligação entre a psique e as reações físicas. O stress prolongado pode influenciar a tensão muscular, o sono, a respiração, a digestão e a perceção da dor. É mais uma razão para observar o corpo e a vida no mesmo período. Perante um sintoma físico, é o médico quem verifica o lado da saúde, e a nossa parte é ver como vivemos, o que carregamos, o que adiamos e o que se repete.

A sala «O Corpo»

O Corpo no FatedWays continua exatamente a partir desta pergunta: o que se passa na minha vida à volta do lugar que neste momento atrai a minha atenção? Escolhes uma ou duas zonas e respondes a algumas perguntas curtas, incluindo a de quando durante o dia a sensação é mais forte. Depois descreves em poucas frases o que se passa na tua vida agora — trabalho, relações, casa, dinheiro, uma pessoa que ocupa muito espaço nos teus pensamentos, uma decisão que se arrasta, ou um tema que continua a voltar.

Imagina que escolhes a garganta e escreves que há um mês andas a pensar numa conversa com o teu companheiro, mas encontras sempre um motivo para a adiar. Ou que escolhes o estômago e contas que esperas uma decisão de trabalho que vai mudar a tua situação financeira. Outra pessoa pode escolher os ombros e escrever que neste momento cuida ao mesmo tempo de um pai idoso, de um filho e de uma equipa exigente. É precisamente este contexto de vida que torna a leitura pessoal.

Na leitura participa também o teu mapa astral, para que o período seja olhado através do teu próprio ritmo e da tua história. Recebes uma direção para pensar e um passo concreto que podes dar no teu dia a dia. Cada leitura fica guardada no Livro da Alma, por isso com o tempo podes voltar atrás e ver se os mesmos temas aparecem junto com as mesmas reações.

A sala está aberta aos Guardiões, e uma leitura custa 3,33 €. Perante dor, um sintoma ou um estado de saúde, a resposta vem do médico. O Corpo olha para o contexto de vida à volta da sensação e para aquilo que neste momento pede mais atenção na tua vida.

Se o tema levar a uma pessoa ou a uma vivência que continua a ocupar muito espaço em ti, Deixar ir pode ser a direção seguinte. Se o corpo reage à volta de uma decisão que adias há semanas, A Encruzilhada olha para a escolha e para o que traz cada um dos caminhos possíveis. Se o padrão volta ao longo de anos e situações diferentes, e a sensação é que a história dele é mais antiga do que o momento atual, A Linhagem abre mais uma via de procura.

Abrir a sala O Corpo →

O corpo começa a conversa

O corpo começa muitas vezes a conversa bem antes de termos encontrado as palavras. Primeiro chega o maxilar cerrado, depois a consciência de quanto calamos. Primeiro sobem os ombros, depois vemos quantas tarefas alheias juntámos. Primeiro sentimos o aperto no estômago, e a seguir admitimos como nos custa esperar. Quando começamos a reparar nestas pequenas ligações, o corpo deixa de ser um enigma e passa a ser mais uma maneira de compreender a própria vida.

Perguntas frequentes

O que significa psicossomática?

A psicossomática estuda o modo como os processos psíquicos e as reações físicas se influenciam mutuamente. O stress prolongado, a ansiedade e a carga emocional podem repercutir-se no sono, na tensão muscular, na respiração, na digestão e na perceção da dor.

O stress pode provocar dor a sério?

Sim. A tensão muscular prolongada, o sono perturbado, o cansaço e as alterações da respiração podem criar um desconforto físico real. O stress também pode intensificar uma queixa que já existe.

Como sei se a minha tensão está ligada ao stress?

Repara em quando aparece, à volta de que pessoas ou situações aumenta, se muda nos dias de folga e nas férias e em que momento do dia é mais forte. Perante uma queixa nova, forte ou prolongada, a consulta médica é o primeiro passo importante.

Se perceber a causa, a sensação vai desaparecer?

Dar-se conta mostra o que se repete e ajuda muitas vezes a encontrar a direção certa. Depois costuma vir também a mudança no dia a dia — mais descanso, um limite diferente, uma conversa importante, uma decisão, ou uma ajuda há muito adiada.

Estas leituras substituem um médico ou um psicoterapeuta?

Não. A sala «O Corpo» é uma ferramenta de autoconhecimento e de observação do contexto de vida. Perante um sintoma físico procura-se a avaliação médica, e em caso de carga emocional forte ou prolongada o psicólogo ou o psicoterapeuta podem ser um apoio importante.

O que recebo na sala «O Corpo»?

Escolhes o lugar que atrai a tua atenção, respondes a algumas perguntas curtas e descreves o que se passa na tua vida agora. Recebes uma leitura pessoal que liga o período, a zona escolhida e o contexto da tua vida e termina com uma direção concreta aplicável ao dia a dia.

Entrar · Sete dias sem cartão