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Onde perdes mais energia?

O cansaço vem raramente daquilo que fazemos. Vem mais vezes daquilo que trazemos na cabeça — uma conversa não dita, uma decisão não tomada, uma espera, uma inquietação com a segurança, uma história que ainda não terminou.

Diante de ti estão sete imagens. Não penses muito. Olha para elas e vê para qual voltam os teus olhos sozinhos — é essa que mostra por onde te escapa agora a energia e o que a traz de volta.

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Escolhe a tua imagem

Toca naquela que te atrai — a resposta abre-se logo por baixo e o som do teu chakra começa sozinho.

A tua imagem · A carta

O não dito leva-te a energia

Vishuddha — o quinto chakra · 741 Hz
O tom deste chakra · 741 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste a carta, e estou quase certa de que há neste momento na tua vida uma conversa que dura muito mais tempo dentro de ti do que na realidade. Talvez ainda não tenha acontecido, talvez tenha começado e ficado a meio, e talvez a pessoa do outro lado não faça ideia de quantas versões dessa conversa já passaram pela tua cabeça. Dizes o que pensas, recebes uma resposta imaginada, inventas a réplica seguinte, depois corriges tudo, porque uma versão te parece demasiado dura, outra demasiado branda, e a terceira chega perfeita por volta das duas da manhã, quando já não há a quem dizê-la. Se nos pagassem pelas conversas tidas apenas na cabeça, muitos de nós teríamos um excelente segundo rendimento.

O problema do não dito é que não tem um fim natural. As palavras ditas já fazem parte da realidade, e depois delas vem alguma resposta, alguma decisão ou pelo menos clareza. As que guardamos ficam como uma porta aberta, e a mente adora atravessá-la vezes sem conta. A energia vai-se em ensaios, suposições, medos, variantes e naquele maçador «e se eu tivesse dito…», que pode voltar durante meses.

Reparei que por trás do silêncio mais longo há muitas vezes uma frase curtíssima. «Isto magoou-me.» «Quero mais.» «Não concordo.» «Tenho saudades tuas.» «Isto já não me chega.» «Quero que fiques.» «Quero ir-me embora.» As palavras cabem numa linha, e uma pessoa pode andar à volta delas meio ano, porque a verdadeira dificuldade começa depois de as dizer.

São precisamente as consequências que mantêm tantas palavras fechadas à chave. Se disseres o que pensas, a relação pode mudar. Se admitires o que queres, talvez tenhas de fazer uma escolha. Se puseres um limite, alguém pode afastar-se. Se disseres que ficaste magoada, terás de mostrar um lugar que até agora guardavas. Se reconheceres que uma situação já não te chega, depois será difícil voltar ao antigo «está tudo mais ou menos bem». O silêncio adia esse momento, e entretanto pagas com atenção, pensamentos e forças.

Este resultado está ligado a Vishuddha — o quinto chakra, associado à voz, à expressão, à verdade e à capacidade de dar forma àquilo que vives. Quando Vishuddha é um tema activo, uma pessoa pode falar muito e mesmo assim nunca chegar ao mais importante. Explica lindamente porque é que o outro age assim, o que lhe aconteceu há anos, que carácter tem, o que provavelmente quis dizer e o que deveria acontecer daqui para a frente. Depois chega a simples pergunta «E tu, o que queres?» e o vocabulário aligeira-se de repente. É um pouco injusto, mas é justamente a verdade própria que custa mais a formular.

Quando isto dura muito tempo, começas a corrigir-te também a ti. Primeiro calas-te diante do outro, depois suavizas as palavras dentro da tua própria cabeça. Dizes a ti mesma que a questão não é assim tão importante, que há-de passar, que a pessoa tem as suas razões, que o momento não é o certo. Depois de correcções suficientes torna-se difícil distinguir o que aceitas de verdade daquilo que simplesmente te habituaste a suportar.

Por isso, com este resultado, eu começaria por uma coisa: encontra a frase. Aquela à volta da qual andam todas as outras palavras. Pode ser curta, incómoda e nada bonita. Muitas vezes é assim mesmo que a verdade se apresenta, antes de a termos embrulhado com decência. Quando encontrares essa frase, já saberás onde ficou grande parte da tua energia.

Prática 1 · A carta que fica contigo

Pega numa folha e escreve: «Se eu soubesse que posso dizer tudo livremente, diria…» Depois escreve dez minutos sem corrigir. Deixa de lado a questão de saber se soas razoável, justa ou suficientemente bem-educada. Este texto não tem público nem júri. O objectivo é tirar as palavras cá para fora na sua primeira versão.

Quando acabares, lê uma vez e sublinha apenas uma frase — aquela onde sentes a ressonância interior mais forte. Depois lê-a em voz alta. A carta pode ficar numa gaveta, ser rasgada ou deitada fora. O que importa é que as palavras já ganharam forma e não precisas de as andar a carregar como uma conversa em rascunho.

Prática 2 · Cinco minutos de diário de voz

Abre o gravador e começa com as palavras: «A verdade que mais me custa dizer é…» Fala cinco minutos e deixa a voz correr, sem voltar atrás e corrigir. Nesta prática ouve-se com muita clareza onde começa a hesitação. A voz acelera, chega um riso num sítio completamente desajustado, aparece uma pausa ou uma vontade súbita de mudar de assunto. São justamente esses os momentos interessantes.

Depois não é preciso guardar a gravação. De qualquer modo, raramente nos faz falta uma colecção dos nossos monólogos interiores para as gerações futuras. O objectivo é ouvir como soas quando dizes a verdade sem público.

Prática 3 · Sete dias com palavras mais precisas

Durante sete dias observa as frases automáticas com que fechamos um assunto mais depressa: «não faz mal», «como quiseres», «estou bem», «para mim é igual», «não tenho nada contra». Todos os dias substitui apenas uma delas pela tua opinião verdadeira. «Prefiro a outra.» «Para mim isto tem importância.» «Quero pensar.» «Não posso prometer.» «Isto não me dá jeito.»

As frases pequenas são um excelente treino, porque Vishuddha não volta apenas através de uma grande conversa que vá mudar a vida. Volta também quando a tua opinião começa outra vez a estar presente nas decisões do dia-a-dia.

Prática 4 · A conversa em três pontos

Se se aproxima uma conversa a sério, anota antes três coisas: o que aconteceu, como o viveste e o que queres daqui para a frente. Esses três pontos chegam para manter a conversa junto ao essencial. Caso contrário há o risco de ao quinto minuto termos chegado a um acontecimento de 2018, duas testemunhas e um anexo de provas, enquanto a pergunta inicial já foi esquecida.

Antes da conversa lê os três pontos e escolhe uma frase que queres mesmo que seja ouvida. Se a conversa seguir noutra direcção, volta a ela.

Prática 5 · Voz sem palavras

Reserva cinco minutos e senta-te confortavelmente. Na expiração começa com um «mmm» prolongado e baixo, e sente a vibração da tua voz. Depois de algumas repetições passa a um som livre e sustentado, por exemplo «aaa» ou «eee». Não há concurso de voz bonita, e essa é uma óptima notícia. Deixa que o tom seja natural e cómodo.

Antes da prática podes soltar um pouco o pescoço, os ombros e o maxilar. No fim, fica um minuto em silêncio e vê se alguma palavra ou frase chega com mais clareza. Se aparecer, anota-a logo.

Prática 6 · O mantra HAM

Na tradição do ioga, Vishuddha é associada ao mantra semente HAM. Pronuncia-se aproximadamente «ham», com um som prolongado na expiração. Podes usá-lo 5 a 10 minutos: uma inspiração natural e depois um «haaam» lento, até o ar sair com conforto.

Passados alguns minutos dirige a atenção para uma pergunta: «O que preciso de exprimir?» Não é preciso procurar resposta logo. Depois da prática anota as primeiras palavras que chegarem.

Prática 7 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 741 Hz é muitas vezes associado a Vishuddha e aos temas da voz e da expressão. É uma associação espiritual e meditativa, não uma frequência curativa estabelecida cientificamente. Nalguns sistemas modernos o chakra da garganta é também associado à nota sol (G).

Deixa o som baixo ou moderado durante 5 a 10 minutos e faz-te uma pergunta: «Que frase guardo dentro de mim?» Depois anota tudo o que chegou como pensamento, palavra ou sensação. Não é preciso esperar um efeito especial. Esta prática é uma maneira de reservar um tempo em que a tua atenção está na voz e na expressão, em vez de voltar a rodar toda a conversa na cabeça.

E mais uma coisa importante

Dar forma à tua verdade não significa voltar automaticamente a cada pessoa e dizer tudo o que pensaste nos últimos anos. Há conversas que já terminaram, relações em que voltar apenas abriria uma história antiga, e palavras destinadas sobretudo a ti. O que importa é saber o que sentes, o que queres e o que já não aceitas.

Depois desta escolha, deixa que uma pergunta fique contigo: «O que vai mudar se eu disser com clareza aquilo que já sei?» A resposta mostra muitas vezes também a razão do silêncio. Podes temer a reacção do outro, ou a verdadeira dificuldade pode ser que depois dessa frase também tu terás de fazer algo diferente.

Vishuddha devolve a energia através da clareza, da voz e de palavras que coincidem com aquilo que vives. Começa pela folha, depois ouve a tua própria voz e só então decide o que tem lugar numa conversa real. Quando já não for preciso manter dez versões diferentes da mesma história na cabeça, fica espantosamente muito espaço livre para outras coisas.

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A tua imagem · A árvore com raízes

Demasiadas forças se vão na segurança

Muladhara — o primeiro chakra · 396 Hz
O tom deste chakra · 396 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste a árvore de grandes raízes, e ela aponta para um tema que parece muito terreno e pode levar uma quantidade enorme de energia: a segurança. Dinheiro, trabalho, casa, futuro, as pessoas com quem contas, tudo o que já construíste na tua vida, e a pergunta de saber se tudo isso é suficientemente estável. Reparei que quando este tema se torna forte, a mente começa a trabalhar como um segurança a tempo inteiro. Verifica o que pode correr mal, prepara planos de reserva e muito raramente decide que o turno terminou.

Pode haver neste momento uma razão completamente real para pensares na tua segurança. Aproxima-se uma mudança, os rendimentos são outros, o trabalho põe-te a pensar, tens uma despesa importante, uma relação tornou-se incerta ou tens de tomar uma decisão da qual depende algo grande. Então a atenção vai naturalmente para o alicerce. Quando a terra debaixo dos pés muda, olhamos primeiro para onde pisar.

Há outra possibilidade. A vida pode ser bastante mais estável do que a sentes, enquanto a mente continua a comportar-se como se a qualquer momento tivesse de salvar a situação. Um problema acaba e quase logo aparece um novo «E se…». E se o trabalho mudar? E se o dinheiro não chegar? E se a pessoa ao meu lado se for embora? E se eu fizer a escolha errada? E se acontecer algo para o qual ainda não inventei um plano de reserva? Depois de perguntas suficientes destas, uma pessoa consegue cansar-se lindamente sem que uma única das catástrofes tenha chegado.

É isso o que tem de particular esta perda de energia. Parte das tuas forças vai-se em manter a prontidão. Vigias, calculas, prevês, guardas, controlas e tentas reduzir o risco de antemão. Até certo ponto é útil. Graças a isso pagamos as contas, fazemos reservas e não partimos para o aeroporto cinco minutos antes do voo. Mas quando a verificação interior nunca termina, a segurança começa a custar mais energia do que aquela que dá.

Este resultado está ligado a Muladhara — o primeiro chakra, tradicionalmente associado às raízes, ao corpo, à base material, à casa, ao pertencer e à sensação de teres um lugar no mundo onde te apoiar. Por isso a tua imagem é uma árvore de raízes enormes. A copa pode mexer-se com o vento, as estações podem mudar, os ramos crescer em direcções diferentes, e a firmeza vem daquilo que está construído em baixo.

A pergunta importante para ti é quanto da incerteza é real e quanto já é hábito de esperar o próximo problema. As duas misturam-se com muita facilidade. Um problema real tem contornos concretos e permite agir. O medo do futuro pode mudar de assunto todos os dias e encontra sempre mais alguma coisa que merece verificação.

Estou convencida de que neste período te vai ajudar ver as tuas próprias raízes de forma muito mais concreta. O que já tens? O que construíste? Que períodos difíceis já atravessaste? Que competências tens se as circunstâncias mudarem? Que pessoas estão realmente ao teu lado? Onde tens escolha, mesmo que a sensação diga agora o contrário? Quando as respostas ficam só na cabeça, o medo afasta-as com facilidade. Quando as vês escritas, o quadro é outro.

Prática 1 · Separa o facto do medo

Pega numa folha e divide-a em duas. De um lado escreve «O que está mesmo a acontecer» e do outro «Do que tenho medo». Depois anota tudo o que te inquieta neste momento.

«No próximo mês tenho uma despesa grande» é um facto. «Depois de certeza que tudo vai por água abaixo» já é um cenário. «Não sei que decisão esta pessoa vai tomar» é uma incógnita real. «Vai deixar-me» é uma previsão, enquanto não houver uma razão concreta para a tomar como facto.

No fim rodeia apenas aquilo sobre o qual podes fazer alguma coisa. Assim a preocupação deixa de ser um monte enorme e sem forma e passa a ser umas quantas tarefas concretas.

Prática 2 · Escreve as tuas próprias raízes

Anota pelo menos sete apoios que já existem na tua vida. Podem ser uma casa, um rendimento, poupanças, uma profissão, conhecimentos, uma pessoa, a tua própria capacidade de encontrar uma saída, um hábito saudável, um lugar que consideras teu.

Junto a cada apoio acrescenta uma frase: «Como posso reforçá-lo?» Num a resposta será uma reserva financeira, noutro uma conversa, no terceiro uma competência nova, no quarto simplesmente mais atenção a algo valioso que davas por garantido.

Esta prática importa, porque o medo tem uma memória magnífica para tudo o que se pode perder e uma memória bastante selectiva para tudo o que já se tem.

Prática 3 · Um plano de reserva

Escolhe o teu maior «E se…» e dá-lhe uma resposta concreta. Se isso acontecer, qual será o teu primeiro passo? A quem podes recorrer? Que recurso tens? O que podes fazer já agora?

Escreve o plano e deixa-o. Uma vez que já há uma decisão para o primeiro passo, não é preciso criar todas as noites uma nova versão do realizador da mesma catástrofe. A mente adora as repetições, mas isso não significa que tenhamos de comprar bilhete para cada sessão.

Prática 4 · Sete dias com uma pergunta

Sempre que aparecer um pensamento que comece por «E se…», acrescenta a seguir: «O que sei com certeza hoje?»

Essa segunda pergunta traz a atenção de volta aos recursos presentes. Podes não saber o que será daqui a seis meses, mas sabes o que tens hoje, o que podes fazer esta semana e que passo está nas tuas mãos. Isso já é uma base.

Prática 5 · Volta ao corpo

Cinco minutos chegam. Põe-te de pé com os dois pés no chão e presta atenção às plantas, ao peso do corpo e à respiração. Depois dá alguns passos muito lentos e sente cada um deles.

Se puderes, faz o mesmo lá fora — sobre terra, erva ou areia. A ideia é que a atenção desça dos cenários futuros para o que realmente se passa agora. O corpo tem uma grande vantagem sobre a mente: dificilmente consegue estar em Março do próximo ano enquanto os pés estão no chão em Setembro.

Prática 6 · Cria uma ordem visível

Escolhe um lugar pequeno ligado à tua segurança — documentos, contas, a carteira, a secretária, um armário, uma pasta com o que é importante — e arruma-o até ao fim. Dá-lhe vinte minutos e acaba uma tarefa concreta.

Muladhara gosta de base visível. A pequena ordem cá fora dá o sinal de que há coisas sobre as quais podes influir. E se pelo caminho encontrares um documento que procuras há dois anos, o chakra recebe um bónus.

Prática 7 · Prática sonora com LAM

A Muladhara associa-se tradicionalmente o mantra semente LAM, pronunciado aproximadamente «lam». Dá-lhe 5 a 10 minutos, senta-te confortavelmente e na expiração pronuncia devagar «laaam», sem forçar a voz.

Enquanto o som corre, dirige a atenção para a pergunta: «O que já me segura?» Depois anota três respostas concretas. Procura apoios reais — pessoas, capacidades, meios, um lugar, conhecimentos, decisões. Nesta prática as respostas mais úteis são muitas vezes bem terrenas.

Prática 8 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 396 Hz é muitas vezes associado a Muladhara. É uma associação meditativa e espiritual, não uma frequência curativa estabelecida cientificamente.

Ouve num nível baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e deixa a atenção na respiração e na sensação de apoio no corpo. Entretanto podes segurar uma pergunta: «O que na minha vida é mais seguro do que me permito sentir?»

Depois anota as três primeiras coisas que chegarem. Não as julgues logo. Volta a elas mais tarde e vê se alguma mostra um recurso que te estava a escapar.

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é a sensação de poderes apoiar-te na tua base e deixar que parte do futuro continue a ser futuro. Pode haver um ponto concreto que precisa mesmo de ser reforçado, e então a melhor solução será prática. Podes também descobrir que a vida já é mais estável, enquanto uma parte de ti ainda vive pelas regras de um período antigo em que era preciso estar sempre de sobreaviso.

Faz-te uma última pergunta: «O que deixaria de verificar, controlar ou prever se acreditasse que encontro solução mesmo quando algo muda?» A resposta mostra muitas vezes para onde vai a maior quantidade de energia.

Muladhara é a base. Para este período a tua tarefa é ver o que já segura a tua vida e o que ainda precisa de ser reforçado. Uma conta, um plano, uma reserva, uma conversa, uma tarefa arrumada podem dar mais sensação de apoio do que cem cenários sobre o futuro. As raízes não têm de saber de onde soprará o vento daqui a seis meses. O trabalho delas é serem suficientemente fundas para o dia de hoje.

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A tua imagem · Os dois caminhos

A dúvida sobre a tua própria sensação esgota-te

Ajna — o sexto chakra · 852 Hz
O tom deste chakra · 852 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste os dois caminhos, e estou quase certa de que há neste momento um assunto sobre o qual, por dentro, já sabes mais do que estás disposta a aceitar. Pode ser uma decisão, uma pessoa, um trabalho, uma proposta, uma mudança ou uma direcção que há algum tempo te puxa para um lado, enquanto a tua mente insiste em abrir mais cinco janelas de verificação. A primeira sensação chegou provavelmente bastante depressa, e depois começou a análise: «E se eu estiver enganada?», «E se me estiver a escapar alguma coisa?», «O que diria esta pessoa?», «O que pensa aquela?», «Não haverá mais um sinal que confirme tudo de vez?». Assim uma sensação interior bastante clara transforma-se aos poucos numa reunião de comissão em que toda a gente tem opinião e ninguém quer assinar a decisão.

A mente tem uma capacidade notável de produzir argumentos quase sem fim. A cada «sim» encontra um «mas», a cada «não» descobre pelo menos uma brecha, e se perguntares a gente suficiente acabarás por receber todas as respostas possíveis. No fim há mais informação e menos clareza. É precisamente nesse momento que o pensar deixa de te ajudar a decidir e começa a segurar-te dentro da decisão.

Reparei que a primeira sensação chega raramente com uma longa explicação. É em geral curta e quase irritantemente clara: «Isto não quero.» «Sim, quero experimentar.» «Aqui há algo que não me agrada.» «Nesta pessoa confio.» «Esta direcção atrai-me.» Depois começa o interrogatório. Como sabes? Tens provas? Em que te baseias? Podias apresentar três referências e uma cópia autenticada da tua intuição? É nessa segunda parte que começa muitas vezes o esgotamento.

Este resultado está ligado a Ajna — o sexto chakra, tradicionalmente associado à visão interior, à intuição, ao reconhecimento de padrões e à capacidade de sentir algo antes de o poderes explicar em pormenor. Isto não significa de todo desligar a razão. Pelo contrário, a razão é precisa e às vezes poupa-nos experiências de vida bastante caras. Trata-se de reconhecer o momento em que já verificaste o suficiente e a verificação seguinte apenas adia a escolha.

Há diferença entre a primeira sensação e o medo, ainda que ambos possam soar muito convincentes. A primeira sensação é em geral mais curta, mais discreta e chega antes de toda a análise. O medo começa a construir cenários, a prever reacções alheias, a trazer de volta erros antigos e a exigir garantias sobre o futuro. Se a sensação interior é «Não quero este trabalho», o medo pode acrescentar logo: «E se não encontro outro? E se este até é bom? E se daqui a três meses me arrepender?». Se a sensação é «Quero dar uma oportunidade a esta pessoa», podem vir a seguir verificações, comparações, conselhos de amigas e a leitura atenta de cada palavra, como se fosse um anexo a um tratado internacional.

Grande parte da energia, com este resultado, vai-se também em voltar a decisões que por dentro já estavam tomadas. Houve um momento em que sabias o que querias, mas a resposta não era suficientemente cómoda, segura ou fácil, e por isso o assunto voltou a abrir-se. É muito humano. Algumas decisões podem ser claras e desagradáveis ao mesmo tempo. Então começamos a procurar uma resposta nova na esperança de que a seguinte seja mais simpática.

Com Ajna aparece também a necessidade de confirmação. Um sinal não chega, queremos outro. Uma conversa não basta, perguntamos a mais uma pessoa. Uma sensação não nos convence, fazemos mais uma pesquisa, mais uma verificação, mais uma comparação. A certa altura já não estás a reunir informação, mas permissão para acreditares no teu próprio critério.

Prática 1 · Volta à primeira sensação

Escolhe a pergunta que mais te ocupa neste momento e escreve: «Antes de começar a analisar, a minha primeira sensação foi…» Deixa a resposta numa frase. A seguir escreve: «Depois comecei a temer que…». Não procures qual das duas respostas soa mais razoável. Vê-as simplesmente lado a lado. Muitas vezes a primeira frase mostra a direcção, e a segunda as consequências das quais te tentas proteger.

Prática 2 · Um dia sem opiniões alheias

Escolhe um assunto e dá-te 24 horas em que não perguntas a ninguém o que faria no teu lugar. Deixa os amigos, os fóruns, os comentários e a pesquisa sem fim por um dia e anota apenas o teu ponto de vista. Se tens o hábito de te acalmares com a opinião dos outros, logo nas primeiras horas sentirás como é forte a vontade de perguntar a alguém. Reparar nisso já é útil. Muitas vezes uma pessoa reúne cinco opiniões e no fim escolhe a sua de qualquer maneira, só que bastante mais cansada.

Prática 3 · Factos e suposições

Quando ficares presa entre duas decisões, anota três coisas que sabes com certeza e três que apenas supões. «Esta pessoa não me respondeu durante dois dias» é um facto. «Já não tem interesse» é uma interpretação. «O trabalho oferece este salário» é um facto. «Não vou conseguir» é uma suposição. Quando os factos e as histórias à volta deles estão separados, à mente custa muito mais fazer passar os medos por provas.

Prática 4 · Uma pergunta, uma resposta

Escreve: «Se tivesse de decidir hoje, escolheria…» e acaba a frase com a primeira coisa que chegar. Depois guarda a folha até ao dia seguinte. Ao lê-la de novo, repara na tua reacção. Chega alívio? Aparece tensão? Apetece-te corrigir logo o que escreveste, porque não gostas do que se seguiria? A tua reacção à resposta dá muitas vezes mais informação do que mais uma hora de reflexão.

Prática 5 · Diário da primeira impressão

Durante sete dias anota a tua primeira sensação sobre coisas pequenas — um encontro, uma conversa, uma proposta, uma pessoa nova, um lugar, uma decisão. Com o tempo assinala o que aconteceu na realidade. O objectivo não será provar que a intuição tem sempre razão, porque essa garantia ninguém tem. Mais interessante é ver como a tua sensação costuma chegar. Numa pessoa é um pensamento breve, noutra uma reacção do corpo, numa terceira uma atracção ou uma recusa nítidas. Quando começas a conhecer a tua própria maneira, as opiniões alheias vão perdendo parte da sua força.

Prática 6 · Percebe quando o pensamento já fez o seu trabalho

Da próxima vez que apanhares o mesmo assunto a andar à roda outra vez, faz-te três perguntas: «Tenho informação nova? Há uma acção concreta que possa fazer? Estou a pensar para perceber alguma coisa, ou porque me custa escolher?» Se não há facto novo nem passo novo, mais vinte minutos de análise dificilmente produzirão uma decisão nova. É mais provável que produzam uma nova versão da velha pergunta.

Prática 7 · Cinco minutos de silêncio antes de escolher

Senta-te cinco minutos sem telemóvel, sem música e sem conversa. Fecha os olhos e imagina primeiro uma possibilidade, depois a outra. Observa como reages a cada uma. Com qual chega mais alívio? Com qual aparece um aperto? Qual te assusta e ao mesmo tempo se sente viva? Qual parece razoável enquanto por dentro fica uma dúvida teimosa? Depois anota as sensações, antes de a mente ter começado a escrever-lhes explicações.

Prática 8 · O mantra OM

A Ajna associa-se tradicionalmente o som OM (AUM). Dá-lhe 5 a 10 minutos, senta-te confortavelmente e na expiração pronuncia devagar «ooom», sem forçar a voz. Depois de algumas repetições mantém a atenção na pergunta: «O que já sei, antes de pedir mais uma prova?» Ao acabar, anota a primeira resposta que chegar. Pode parecer-te demasiado simples, mas são justamente as respostas simples aquelas que passámos mais tempo a complicar.

Prática 9 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 852 Hz é muitas vezes associado a Ajna e aos temas da intuição e da visão interior. É uma prática espiritual e meditativa, sem pretensão de efeito curativo. Ouve num nível baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e mantém apenas uma pergunta: «Se confiar na minha própria sensação, qual é o meu passo seguinte?» Depois anota a resposta que chegar primeiro e deixa-a repousar pelo menos umas horas antes de voltares a analisá-la.

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é confiança no teu próprio critério. Informação tens provavelmente que chegue, e é possível que bastante mais do que realmente precisas. O cansaço vem da vontade de que a decisão seja ao mesmo tempo certa, segura, aprovada por todos e acompanhada da garantia de que nunca te arrependerás. A vida raramente oferece esse pacote.

Eu deixaria uma pergunta: «Se ninguém me fosse elogiar nem criticar pela minha escolha, o que faria?» Mostra muito depressa quantas vozes alheias se juntaram à volta da tua própria sensação.

Ajna lembra-te que a razão e a intuição podem trabalhar juntas. Verifica os factos, reúne a informação necessária e depois vê o que fica quando deixas de procurar mais uma confirmação. Os dois caminhos não ficarão para sempre igualmente abertos, e a clareza chega muitas vezes depois dos primeiros passos, quando já vais por um deles.

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A tua imagem · A água e o fruto

Deixas os teus próprios desejos para depois há tempo demais

Svadhisthana — o segundo chakra · 417 Hz
O tom deste chakra · 417 Hz · 10 minutos
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Escolheste a água e o fruto, e estou quase certa de que neste período o tema tem a ver com algo muito pessoal: o que queres realmente e quanto espaço lhe dás na tua vida. Não falo dos grandes objectivos que soam bem num plano para os próximos cinco anos. Falo antes daqueles desejos mais pequenos e muito verdadeiros que dão sabor a um dia — ir a algum sítio, fazer algo só porque te dá prazer, passar o tempo de uma maneira que gostas, pedir proximidade, movimento, beleza, criação, descanso, uma experiência nova. São justamente esses desejos que recebem com tanta facilidade a etiqueta «depois», porque há sempre algo mais importante, mais urgente e mais prático.

No início parece perfeitamente razoável. Primeiro o trabalho, depois o prazer. Primeiro as tarefas, depois o passeio. Primeiro todos os outros, depois eu. Só que «depois» tem o mau hábito de se mexer. Acaba um compromisso e logo chega o seguinte, uma semana torna-se um mês, e no fim uma pessoa começa a perguntar-se porque é que nada em concreto está mal e a vida se tornou mesmo assim algo insípida. Tudo funciona, tudo está sob controlo e o prazer foi, ao que parece, enviado em viagem de trabalho sem data de regresso.

Reparei que quando deixamos muito tempo os nossos desejos em último lugar, começamos a perder também a ligação com eles. No início sabes o que queres e limitas-te a adiá-lo. Com o tempo, se alguém perguntar «Está bem, e o que te daria prazer?», a resposta já não chega assim tão facilmente. Habituas-te a pensar através de «tenho de», «é o que se deve», «não tenho tempo», «agora não é a altura», e o «quero» pessoal começa a soar quase como um luxo.

Este resultado está ligado a Svadhisthana — o segundo chakra, tradicionalmente associado ao prazer, aos desejos, aos sentimentos, à sensualidade, à criação, ao movimento e à capacidade de viver a vida em vez de apenas a organizar. Simbolicamente é também associado à água — aquilo que se move, muda de forma e não gosta de ficar demasiado tempo fechado num só recipiente.

Quando Svadhisthana é um tema forte, a pergunta é muitas vezes se deixaste espaço suficiente para aquilo que te atrai, te alegra e te reanima. Podes cumprir todas as tuas obrigações lindamente e mesmo assim sentir que falta alguma coisa. O difícil é que o que falta nem sempre tem nome. Não é obrigatório quereres uma grande mudança. Pode faltar simplesmente música, um toque, boa comida, uma viagem, criação, tempo à beira de água, dança, um namoro, um encontro, riso, beleza, ou umas horas em que ninguém espera de ti que sejas útil.

Quando essa parte da vida passa fome muito tempo, procuramos muitas vezes substitutos. Deslizar o ecrã, compras, comer sem fome, mais um episódio, mais uma tarefa, mais um pouco de trabalho. Dão uma breve sensação de recompensa, mas nem sempre aquilo por que realmente anseias. Se te falta proximidade, um objecto novo raramente resolve a questão. Se te falta criação, mais duas horas em frente ao ecrã não a substituem. Se te falta movimento e vivência, a lista de tarefas pode ficar perfeita e continuará a haver um «pronto, e então?» interior.

Por isso, com este resultado, eu começaria pela pergunta: «O que adio há tanto tempo que quase esqueci porque o quero?» A resposta pode parecer pequena. É justamente isso que a torna importante. As grandes mudanças costumam receber atenção. Os desejos pequenos podem esperar anos.

Prática 1 · A lista «quero»

Pega numa folha e escreve pelo menos vinte frases que comecem por «Quero…». Deixa as tarefas e os objectivos úteis fora desta lista. «Quero acabar o relatório» pode ser necessário, mas dificilmente é Svadhisthana na sua forma mais inspirada. Escreve coisas como «Quero ir àquele sítio», «Quero dançar», «Quero um sabor novo», «Quero passar mais tempo com esta pessoa», «Quero pintar», «Quero uma tarde livre».

Depois rodeia três desejos que possam receber um lugar já nos próximos sete dias. Assim o desejo deixa de ser abstracto e recebe uma data, uma hora ou uma acção.

Prática 2 · O que me dá prazer na realidade

Faz duas colunas: «Dá-me energia» e «Só me distrai». Anota como passas o teu tempo livre e vê o que deixa uma sensação agradável. Uma hora de passeio pode devolver-te a ti mesma, enquanto uma hora a deslizar o telemóvel sem rumo pode deixar ainda mais cansaço. E ao contrário — há noites em que um episódio é exactamente aquilo de que precisas. O objectivo é perceber o que é para ti prazer verdadeiro e o que é apenas uma maneira cómoda de o tempo passar.

Prática 3 · Um desejo recebe data

Escolhe algo que adias há muito e dá-lhe uma data concreta. Não «um dia vou», mas «no sábado às 16:00 vou». Não «devia voltar a pintar», mas «na quarta reservo meia hora». Os desejos perdem-se com muita facilidade quando ficam sem lugar no calendário. Com Svadhisthana este pequeno gesto importa, porque mostra que ao «quero» pessoal cabe um tempo real, e não apenas belas intenções.

Prática 4 · Sete dias, um pequeno prazer por dia

Durante uma semana escolhe todos os dias uma coisa pequena só pelo prazer. Uma comida preferida, um aroma, música, flores, dez minutos ao sol, um bom duche, uma dança em casa, um café num sítio de que gostas, um livro, um passeio curto. A ideia é devolver o prazer ao dia-a-dia, em vez de esperar por férias, por uma festa ou por alguma versão futura da vida em que finalmente estará tudo riscado da lista. Esse dia, já agora, ainda não o encontrei.

Prática 5 · Água e movimento

Svadhisthana é simbolicamente ligada à água e ao movimento. Escolhe 10 a 15 minutos e põe música de que gostes. Deixa o corpo mover-se livremente, sem coreografia e sem importar como fica. Se isso não te agrada de todo, dá um passeio longo à beira de água, toma um duche quente com atenção às sensações ou senta-te simplesmente junto a um rio, ao mar, a um lago ou a uma fonte. A ideia é sair do modo controlo e permitir que a atenção volte às sensações.

Prática 6 · Os cinco sentidos

Escolhe um momento do dia e presta atenção, um a um, aos cinco sentidos: o que vês, o que ouves, o que sentes na pele, que aroma há à tua volta e que sabor notas. Podes fazê-lo com um fruto, com chá, com comida ou simplesmente a caminhar. Svadhisthana está muito ligada à vivência pelos sentidos, e nós somos capazes de comer um almoço inteiro a pensar num e-mail que ainda não foi enviado. Tecnicamente almoçámos, mas a vivência parece não ter passado por nós de todo.

Prática 7 · Permissão

Escreve uma frase: «Permito-me querer…» e acaba-a pelo menos dez vezes. Esta prática mostra onde o próprio desejo já se tornou incómodo. Podes descobrir que os desejos úteis te permites com facilidade, e que assim que se trata de prazer, proximidade, beleza ou de uma escolha pessoal aparece logo o contabilista interior com a pergunta de saber se está suficientemente justificado.

Lê a lista e escolhe um desejo para o qual não precisas da aprovação de ninguém. Dá-lhe lugar já esta semana.

Prática 8 · O mantra VAM

A Svadhisthana associa-se tradicionalmente o mantra semente VAM, pronunciado aproximadamente «vam». Dá-lhe 5 a 10 minutos, senta-te confortavelmente e na expiração pronuncia um «vaaam» prolongado, com voz natural e sem esforço. Depois de algumas repetições segura a pergunta: «O que me traz alegria verdadeira neste período?» Depois anota as três primeiras respostas, mesmo que pareçam demasiado banais. Muitas vezes é justamente o banal que faltou durante mais tempo.

Prática 9 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 417 Hz é muitas vezes associado a Svadhisthana, ao movimento e à mudança. É uma associação espiritual e meditativa, sem pretensão de efeito curativo. Ouve baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e deixa a atenção na pergunta: «O que estou a negar-me, apesar de o querer há muito?»

Quando o som acabar, anota uma resposta concreta e um pequeno passo que possas dar nas próximas 48 horas. Assim a prática acaba com uma acção, e o desejo não recebe mais um belo lugar na lista dos «um dia».

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é vivência viva. Podes precisar de mais alegria, criação, proximidade, movimento, beleza ou de tempo que não esteja destinado de antemão a ser útil. Isto não significa largar as obrigações e começar uma vida nova ao pé de uma piscina com um cocktail na mão. Ainda que, como ideia, tenha os seus méritos. Mais importante é ver se o teu dia-a-dia contém coisas suficientes que esperas com vontade, ou se quase tudo nele já anda pela linha do «tenho de».

Eu deixaria uma pergunta: «Se durante um dia inteiro ninguém esperasse nada de mim, como quereria passá-lo?» A resposta pode mostrar muito mais do que uma longa lista de objectivos, porque revela o que escolhes quando por um momento desaparece o dever de ser útil, sensata e produtiva.

Svadhisthana lembra que o prazer tem lugar na vida ainda antes de tudo o resto estar concluído. Um desejo é informação. Mostra onde há vida, interesse e movimento. Dá lugar já agora a pelo menos um dos teus «quero» e vê o que muda quando o dia contém algo que esperas de verdade.

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A tua imagem · A porta aberta

A velha direcção ficou-te estreita

Sahasrara — o sétimo chakra · 963 Hz
O tom deste chakra · 963 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste a porta aberta, e este resultado é um pouco diferente dos outros, porque com ele a vida por fora pode parecer perfeitamente em ordem. Há trabalho, tarefas, pessoas, planos, hábitos, coisas que construíste e até objectivos para os quais caminhaste durante muito tempo. Só que por dentro já não chega a mesma resposta. Aquilo que antes te movia deixa agora uma estranha indiferença. Consegues algo e em vez de satisfação chega um «pronto… e agora?». Continuas pelo trajecto antigo porque o conheces, mas a sensação é a de vestir uma peça que ainda parece decente, só que já não se respira bem dentro dela.

Reparei que o fim de um período interior raramente chega com fanfarras e um letreiro «A partir de segunda começa uma vida nova». Chega mais vezes como falta de interesse. Coisas que até há pouco te importavam começam a perder peso. As conversas repetem-se, os objectivos já não te comovem, as recompensas conhecidas não dão o mesmo prazer, e começas a perguntar-te porque é que te tornaste ingrata para com uma vida que afinal não parece má. Pode não haver crise nenhuma. Há uma sensação discreta de teres chegado ao fim de algo, enquanto o que se segue ainda não tem nome.

É justamente esse intervalo o mais incómodo. O velho já não te segura e o novo ainda não ganhou forma. A mente quer naturalmente encher depressa o lugar vazio com um objectivo novo, um projecto novo, uma pessoa nova, um plano novo ou pelo menos uma tabela bem organizada. Só que com este resultado encher à pressa costuma trazer de volta a mesma história noutra embalagem. Se não percebeste o que exactamente terminou, é muito fácil escolher o seguinte pelos critérios antigos.

Este resultado está ligado a Sahasrara — o sétimo chakra, tradicionalmente associado ao sentido, à perspectiva mais ampla, à consciência espiritual e à sensação de que a tua vida tem uma direcção para além das tarefas imediatas. Quando Sahasrara é um tema forte, uma pessoa começa a fazer perguntas difíceis de resolver apenas com mais esforço: «Porque faço tudo isto?», «Haverá mais alguma coisa para mim?», «O que é que já ultrapassei?», «Se continuar assim mais cinco anos, vai chegar-me?».

Isto não significa necessariamente deixar o emprego, vender a casa e partir para a montanha à procura de iluminação. Às vezes a nova direcção é muito mais pequena e muito mais discreta. Pode mudar a maneira como trabalhas, as pessoas com quem queres estar, o lugar que uma velha ambição ocupa na tua vida, ou a tua ideia de sucesso. A grande pergunta é se continuas a seguir algo porque ainda é teu, ou porque foi teu durante muito tempo e não reparaste no momento em que isso mudou.

Os objectivos antigos podem deixar de dar energia precisamente porque já fizeram o seu trabalho. Um objectivo ensinou-te independência, outro deu-te segurança, um terceiro provou algo que em tempos precisavas muito de provar. Quando a lição está tomada, a forma pode ficar e a carga desaparecer. Então começa aquele estado estranho em que continuas a mover-te e cada vez mais te perguntas para quê.

Com este resultado eu prestaria atenção também a outra sensação — a inveja de uma vida alheia que na verdade não queres copiar. Às vezes olhas para alguém que mudou de direcção, começou algo novo, vive de outra maneira ou simplesmente parece muito mais vivo naquilo que faz, e sentes uma pontada. Não significa forçosamente que queres a vida dele. Talvez esteja apenas a mostrar-te que na tua falta movimento na direcção de algo que faça sentido para ti.

Por isso, com esta escolha, a tarefa mais importante é não te apressares a inventar o próximo grande objectivo. Vê primeiro o que já terminou dentro de ti. A nova direcção vê-se muito mais facilmente quando deixas de manter a antiga aberta só porque em tempos foi a certa.

Prática 1 · O que já está concluído

Pega numa folha e escreve como título: «Isto já cumpriu o seu papel na minha vida». Depois anota tudo o que chegar — um objectivo, um hábito, um papel, uma relação, uma maneira de trabalhar, uma ambição, um sonho, uma ideia de ti mesma. Não é preciso mudar nada já. A primeira tarefa é simplesmente reconhecer o que já não traz o mesmo sentido.

Depois escreve junto a cada coisa: «O que me deu?». Um trabalho pode ter-te dado independência, uma relação ter-te ensinado a proximidade, um projecto ter-te mostrado do que és capaz, um objectivo antigo ter-te dado confiança. Assim o fim deixa de parecer um fracasso e começa a parecer uma etapa concluída.

Prática 2 · Onde há ainda vida

Escreve cinco áreas da tua vida e junto a cada uma assinala quanta energia sentes nela agora, de 0 a 10. Podes incluir trabalho, relações, criação, estudo, casa, amizades, espiritualidade, viagens, crescimento. Depois olha para os lugares com a nota mais alta e pergunta-te: «O que exactamente me reanima ali?»

Esta prática importa, porque a direcção seguinte já começou muitas vezes a mostrar-se em pequenos fragmentos. Pode ser um tema sobre o qual lês sem esforço, uma conversa que te faz reviver, uma ideia à qual voltas constantemente, ou uma ocupação depois da qual o tempo parece ter passado em cinco minutos. O novo nem sempre chega como plano. Primeiro chega como interesse.

Prática 3 · Uma velha pergunta que já não te serve

Anota a pergunta que mais vezes te fizeste nos últimos anos. Pode ser «Como ganho mais?», «Como provo que sou capaz?», «Como guardo isto?», «Como agrado?», «Como chego lá?». Depois pergunta-te: «Esta pergunta ainda é minha?»

Às vezes a vida muda enquanto a pergunta fica velha. E se continuares a fazer uma pergunta velha, naturalmente continuarás a receber variações da velha resposta.

Experimenta substituí-la por uma nova. Por exemplo: «Como quero viver?», «O que tem agora importância para mim?», «A que quero dar o meu tempo?». A própria troca da pergunta pode abrir muito mais espaço do que mais um objectivo novo.

Prática 4 · Uma hora sem utilidade

Reserva uma hora por semana em que não haja tarefa nenhuma a cumprir. Sem formação «para te desenvolveres», sem organizar, sem pôr em dia, sem um podcast útil que de certeza fará de ti uma versão melhor de ti mesma até ao fim da noite. Passeia, senta-te algures, vê uma exposição, ouve música ou fica simplesmente sem programa.

Esse tempo vazio importa, porque as direcções novas ouvem-se com dificuldade quando cada minuto já tem descrição de funções. Se toda a vida está cheia do velho, o novo não tem sequer onde aparecer.

Prática 5 · Imagina mais cinco anos iguais

Fecha os olhos e imagina que nos próximos cinco anos nada de essencial muda. O mesmo trabalho, o mesmo ritmo, o mesmo tipo de relações, os mesmos objectivos, a mesma maneira de passar o tempo. Depois observa a tua primeira reacção.

Se a sensação for agradável, a tua direcção provavelmente ainda tem vida e o que faz falta é antes uma renovação. Se chegar peso, tédio ou um forte «não quero isto», presta atenção. Não é preciso saberes logo o que queres em vez disso. Às vezes perceber com clareza o que já não queres é o primeiro mapa verdadeiro da nova direcção.

Prática 6 · O dia que teria sentido

Em vez de descreveres a tua carreira ideal ou o grande objectivo, descreve um dia comum que te parecesse cheio de sentido. Onde acordas, com que te ocupas, com quem falas, quanto tempo tens para ti, o que crias, o que aprendes, como te sentes à noite.

Esta prática é muitas vezes bem mais útil do que a pergunta «O que quero da vida?», porque essa última pode produzir silêncio e uma ligeira inquietação. Um dia, porém, consegues imaginar. E se sabes como queres que sejam os teus dias, começa aos poucos a desenhar-se também a direcção.

Prática 7 · Um pequeno ritual de fecho

Escolhe uma coisa que simbolize um período que sentes concluído — um documento antigo, um bilhete, um objecto, uma fotografia, uma lista de objectivos. Reserva tempo para a olhares e escreve três frases: «Isto deu-me…», «Com isto aprendi…», «Já posso deixar…». Depois arruma o objecto, muda-o de sítio ou separa-te dele, se isso fizer sentido para ti.

O objectivo é dar forma visível a um fecho interior. Às vezes já acabámos com algo há muito e continuamos a carregá-lo como uma janela aberta no computador — não a usamos, mas de alguma maneira recusamo-nos a fechá-la.

Prática 8 · Silêncio e OM

Com Sahasrara o silêncio tem tradicionalmente grande importância, e em muitas práticas espirituais usa-se também OM/AUM. Podes começar com algumas repetições lentas de «ooom» e depois ficar cinco minutos em silêncio. Em vez de fazeres muitas perguntas, segura uma: «O que na minha vida já está concluído?»

Depois da prática anota tudo o que chegar, sem o transformares logo num plano. Com este chakra o espaço importa tanto como a resposta. E honestamente, cinco minutos em que ninguém quer nada de ti já soam por si bastante espirituais.

Prática 9 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 963 Hz é muitas vezes associado a Sahasrara, à contemplação e à sensação de uma perspectiva mais ampla. É uma associação espiritual e meditativa, sem pretensão de efeito curativo.

Ouve num nível baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e deixa a pergunta: «O que quer libertar-se, para que haja lugar para o que se segue?» Depois não te apresses a procurar solução. Anota uma palavra, uma imagem ou um pensamento que tenha ficado mais claro, e volta a ele no dia seguinte.

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é a sensação de uma direcção seguinte com sentido. O velho já não dá a mesma energia e o novo está ainda naquela fase desagradável em que se sente mais como ausência do que como plano. Isso pode levar-te a pensar que te perdeste, quando na verdade estás simplesmente entre dois períodos.

Eu deixaria uma pergunta: «O que continuo a manter só porque em tempos foi importante para mim?» A resposta pode ser um objectivo, um papel, uma ligação, uma maneira de viver ou uma ideia de como deve parecer o teu sucesso.

Sahasrara lembra que a direcção nem sempre aparece no momento em que a anterior termina. Entre as duas há um espaço em que não sabes ao certo o que se segue. Pode ser incómodo, mas é justamente aí que começam a aparecer as perguntas novas, os interesses novos e aqueles pequenos sinais que vão dando forma ao período seguinte. A porta aberta da tua escolha não promete um caminho pronto do outro lado. Mostra que já chegaste ao lugar de onde se pode ver que existe também um mais além.

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A tua imagem · As duas poltronas

Uma relação ocupa espaço a mais dentro de ti

Anahata — o quarto chakra · 639 Hz
O tom deste chakra · 639 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste as duas poltronas, e elas apontam para um tema que toma conta com muita facilidade do espaço interior de uma pessoa: as relações. Pode haver alguém em concreto, uma ligação actual, um amor passado, uma falta, uma espera, uma confusão, um apego, uma situação pouco clara, ou simplesmente a sensação de que demasiados dos teus pensamentos, esperanças e emoções estão presos ao que se passa entre ti e alguém. Reparei que quando este tema se acende com força, o dia pode correr por fora perfeitamente normal, enquanto por dentro quase tudo passa pelo mesmo filtro: o que quer isto dizer, porque não telefona, porque se comporta assim, há futuro, acabou, está a começar, volta, afasta-se. E assim uma história começa aos poucos a viver não só na tua vida, mas em quase cada minuto livre dela.

Este resultado está ligado a Anahata — o quarto chakra, tradicionalmente associado ao coração, ao amor, à proximidade, à confiança, à aceitação, à ligação emocional e à capacidade de dar e receber amor de uma maneira que alimenta em vez de esgotar. Quando Anahata é um tema activo, raramente se trata apenas de «gosto de alguém» ou «sofro por alguém». Muito mais vezes trata-se de perguntas mais fundas: como amas, o que esperas, o que procuras através do amor, porque foi justamente esta pessoa a receber tanto espaço em ti e se nesta história há mais reciprocidade ou mais apego interior.

Estou convencida de que uma das distinções mais importantes com este resultado é a que existe entre o amor e o apego. O amor tem calor, abertura, respeito pelo outro e por ti, capacidade de trazer alegria mesmo quando nem sempre é fácil. O apego é muito mais tenso. Nele há muitas vezes medo, vigilância constante, um balançar interior entre a esperança e a inquietação, uma forte necessidade de confirmação e a sensação de que o teu equilíbrio emocional depende das reacções do outro. O amor alarga. O apego aperta. O amor liga-te. O apego pode fechar-te. E o mais desagradável é que na vida real os dois vêm muitas vezes misturados, e por isso às vezes uma pessoa acredita estar a viver um grande amor enquanto metade da sua energia se vai em inquietação, espera e cenários interiores.

É justamente por isso que alguém pode continuar tão presente nos teus pensamentos. A razão nem sempre é ser este «o grande amor». Às vezes essa pessoa tocou um lugar em ti que há muito esperava atenção — a necessidade de seres escolhida, vista, segura, importante, desejada, compreendida ou salva da solidão. Às vezes a história ficou aberta, e a mente detesta histórias abertas. Às vezes há o não dito, o não vivido, ou uma esperança que ainda não foi largada. Às vezes a ligação foi curta enquanto o seu sentido interior era muito maior do que a sua duração. É então que uma pessoa está presente em ti de forma desproporcionada e começas a perguntar-te se isto é amor ou se já se tornou outra coisa.

Com este resultado é importante fazeres-te também uma pergunta mais incómoda: quanta da tua própria energia ficou nessa história. Não só quanto sentimento há, mas quanta atenção, quanto tempo, quantas conversas interiores, quantas esperanças, quanta renúncia a outras coisas, quanto adiamento da tua própria vida. Porque às vezes o maior esgotamento não vem do amor em si, mas de teres entretanto deixado de viver plenamente fora dele.

As duas poltronas da imagem escolhida são um símbolo muito forte. Uma traz presença, a outra ausência. Entre elas há uma ligação, e há também um espaço. É muitas vezes exactamente o lugar onde uma pessoa se encontra — entre o que foi e o que quer; entre a pessoa real e a ideia que faz dela; entre a proximidade e o medo de perder. A tua pergunta agora não é apenas «Amo?». A mais importante é: «Aquilo que me segura alimenta-me ou esgota-me?»

Prática 1 · Quanto espaço ocupa esta história

Pega numa folha e anota o nome da pessoa ou o tema que mais ocupa a tua atenção. Por baixo escreve: «Com que frequência penso nisto?», «O que imagino mais vezes?», «O que espero?», «O que tenho medo de perder?» Responde com honestidade e sem enfeites. Esta prática é útil porque traz a história do nevoeiro dos sentimentos para algo mais visível. Quando vês escrito quanto espaço um tema ocupa de facto, começas a perceber também porque te custa tanta energia.

Prática 2 · Amor ou apego

Divide a folha em duas e escreve «Isto parece amor» e «Isto parece apego». Depois começa a descrever o que vives. Se há calor, respeito, reciprocidade, calma, alegria pela presença do outro e vontade de que ambos estejam bem, é um lado. Se há medo, vigilância, necessidade de confirmação constante, pensamentos obsessivos, forte inquietação e a sensação de que sem essa história te perdes a ti mesma, é o outro. Muita gente descobre que no seu coração há dos dois. É justamente essa clareza que ajuda mais do que as explicações românticas com que às vezes tapamos o nosso próprio esgotamento.

Prática 3 · O que puseste em pausa

Anota três coisas que adiaste porque a tua atenção estava demasiado ocupada com esta história. Pode ser um encontro, trabalho, cuidar do corpo, um passatempo, um descanso, uma nova amizade, até a mais simples sensação de leveza. Junto a cada uma escreve um pequeno passo com que a possas trazer de volta à tua vida já esta semana. Com este resultado é importante que parte da energia comece a voltar para ti, em vez de continuar toda a viver à espera do gesto de outra pessoa.

Prática 4 · Uma carta ao coração

Escreve uma carta que comece assim: «A verdade é que nesta história eu na realidade quero…» Deixa as palavras saírem livremente. Pode acontecer que não queiras apenas uma pessoa concreta, mas clareza, calma, segurança, proximidade, ser escolhida, perdão ou um fecho. Quando acabares, lê o que escreveste e rodeia a frase que soa mais verdadeira. Às vezes não é a pessoa que mais falta, mas o sentimento que lhe associámos.

Prática 5 · Sete dias com menos vigilância e mais presença

Se tens o hábito de verificar conversas, perfis, sinais, fotografias antigas ou de voltar mentalmente cem vezes por dia à mesma história, experimenta durante sete dias reduzir pelo menos uma dessas acções. Não como castigo, mas para veres o quanto esse gesto se tornou automático. Sempre que te apetecer, traz a atenção de volta para algo teu — um passeio curto, água, a respiração, música, um livro, uma amiga, uma tarefa que é para ti. Honestamente, o coração não sara grande coisa por termos verificado mais três vezes a hora do último acesso.

Prática 6 · Respirar com a mão sobre o coração

Senta-te confortavelmente e põe uma mão sobre o peito. Respira devagar cinco minutos, dizendo por dentro na inspiração: «Aceito o que sinto», e na expiração: «Volto a mim». É uma prática simples, mas muito boa quando a emoção se tornou barulhenta. Não resolve a história de imediato, mas ajuda a descer do turbilhão interior e a ouvir o que se passa realmente em ti.

Prática 7 · O que procuro através desta pessoa

Anota a frase: «Através desta história procuro…» e acaba-a pelo menos dez vezes. Podem aparecer palavras como amor, calma, segurança, ser escolhida, prova, atenção, fecho, pertença, fé, sentido. Ao chegares ao fim, olha para as palavras que se repetem. Mostram o que falta de verdade ou o que dói mais. Essa já é a conversa verdadeira.

Prática 8 · O mantra YAM

A Anahata associa-se tradicionalmente o mantra semente YAM, pronunciado aproximadamente «iam». Dá-lhe 5 a 10 minutos, senta-te confortavelmente e na expiração pronuncia devagar «iaaam» com voz suave e natural. Depois de algumas repetições segura uma pergunta: «O que quer o meu coração, se o medo se calar por um bocado?» Depois anota as primeiras palavras que chegarem. Não procures uma resposta complicada. Com o coração as verdades simples são muitas vezes as mais importantes.

Prática 9 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 639 Hz é muitas vezes associado a Anahata, à harmonia nas relações e ao equilíbrio emocional. É uma associação espiritual e meditativa, sem pretensão de efeito curativo. Ouve baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e mantém a atenção na pergunta: «Que parte da minha energia é altura de recuperar?» Depois anota um pensamento, uma sensação e um pequeno passo com que possas cuidar de ti ainda hoje.

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é reciprocidade interior — a sensação de que o teu coração não só dá, espera, recorda e tem esperança, mas também recebe sossego, clareza, calor e lugar para tomar fôlego. Pode faltar uma pessoa concreta. Pode faltar um fecho. Pode faltar segurança. Pode faltar simplesmente um regresso a ti mesma, depois de parte da tua energia ter vivido demasiado tempo dentro de uma só história do coração.

Eu deixaria uma última pergunta: «Se esta história deixar de ocupar tanto espaço em mim, o que voltará para mim?» A resposta mostra muitas vezes também aquilo de que precisas agora — sossego, alegria, movimento, uma nova direcção, clareza, proximidade ou mais amor por ti mesma.

Anahata lembra que o amor não é apenas a força do sentimento. É também a qualidade da ligação — com o outro e contigo. Quando uma relação começa a tirar mais do que dá, o coração precisa não só de esperança, mas de cuidado, de clareza e de um regresso à sua própria verdade.

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A tua imagem · O portão

A tua energia fica nas decisões que não tomas

Manipura — o terceiro chakra · 528 Hz
O tom deste chakra · 528 Hz · 10 minutos
Descarregar o som Começa sozinho. Pára-o se não te apetecer ouvir — o texto fica.

Escolheste o portão, e este resultado aponta para um tema muito concreto: a vontade, a acção e as decisões já maduras que continuam à espera. Talvez saibas há muito o que queres, o que tens de mudar, onde é altura de dizer «chega», que conversa ter ou que passo dar. O problema é que entre o saber e o agir se instalou um grande «mais um bocadinho». Mais um bocadinho a pensar, mais um bocadinho à espera, mais um bocadinho para ver como as coisas se desenvolvem. E assim uma pessoa pode às vezes passar meses diante de um portão aberto, a analisar com cuidado se será a altura certa para o atravessar.

Reparei que as decisões por tomar comem muito mais energia do que parece. Todas as manhãs o assunto volta, durante o dia aparece como pano de fundo, à noite chega aquele conhecido «tenho mesmo de fazer alguma coisa», e no dia seguinte tudo recomeça. A acção em si pode levar dez minutos, mas o seu adiamento pode ocupar lugar na cabeça durante meio ano.

Com este resultado muitas vezes não há verdadeira falta de clareza. Há antes medo das consequências. Se tomares uma decisão, alguém pode não a aprovar. Se puseres um limite, pode haver descontentamento. Se mudares de direcção, terás de suportar o desconhecido. Se disseres «não», alguém pode achar-te incómoda. Se disseres «sim» a ti mesma, talvez tenhas de desiludir uma expectativa que cumpriste durante muito tempo. É justamente por isso que adiar é às vezes tão atraente: enquanto a decisão não está tomada, parece que todas as opções continuam possíveis e ninguém está ainda desiludido. Só que a pessoa que espera há mais tempo costumas ser tu.

Este resultado está ligado a Manipura — o terceiro chakra, tradicionalmente associado à vontade, à força pessoal, à autonomia, aos limites, à escolha e à capacidade de transformar a intenção em acção. Quando Manipura é um tema activo, a pergunta é com que facilidade te permites ser a autora das tuas próprias decisões. Podes saber o que queres e mesmo assim olhar em volta para ver se todos ficarão contentes. Podes ter uma resposta interior clara e esperar que alguém de fora a confirme, para te sentires com direito a agir.

A aprovação alheia tem formas muito subtis. Nem sempre perguntas directamente «O que achas?». Às vezes imaginas de antemão a reacção do outro e mudas a decisão antes mesmo de a teres tomado. «Vai ficar zangado.» «Ela não me vai perceber.» «Como é que isto vai ficar?» «O que vão dizer?» E assim, aos poucos, uma pessoa começa a viver não segundo as suas escolhas, mas segundo as reacções supostas de um público que talvez nem sequer tenha pedido bilhete para o espectáculo.

Há outra armadilha: a espera do momento ideal. Manipura sofre muito com a ideia de que é preciso primeiro sentirmo-nos totalmente prontas. A verdade é que nas decisões importantes a prontidão chega muitas vezes depois do primeiro passo. Antes dele há hesitação, inquietação e aquela sensação desagradável de que tudo pode correr de várias maneiras. Isso não significa que a decisão esteja errada. Significa que agora há algo em jogo.

Com este resultado eu começaria pela pergunta: «Que decisão já tomei por dentro e ainda não transformei em acção?» A resposta costuma chegar depressa. Se aparecerem logo três explicações sobre porque é que agora não é a altura, estás provavelmente exactamente no sítio certo.

Prática 1 · Nomeia a decisão numa frase

Pega numa folha e escreve: «A decisão que estou a adiar é…» Acaba a frase com poucas palavras. Depois escreve: «Se a tomar, o que mais receio é…» e «Se continuar a adiá-la mais seis meses, o preço será…». Estas três frases mostram muito depressa o que te segura de facto. Às vezes o medo de agir parece grande até se ver o preço de não agir.

Prática 2 · Onde esperas uma permissão

Anota os nomes ou os papéis das pessoas cuja opinião mais influencia as tuas decisões. Junto a cada uma escreve: «O que receio que aconteça se esta pessoa não aprovar a minha escolha?». Depois faz-te mais uma pergunta: «Se a reacção dela fosse completamente desconhecida, o que escolheria?» Assim verás onde a decisão te pertence e onde já começou a acomodar-se ao conforto alheio.

Prática 3 · A lista «sim», «não», «ainda não»

Escolhe cinco assuntos pendentes na tua vida e põe junto a cada um apenas uma das três palavras: «sim», «não» ou «ainda não». Se escolheres «ainda não», acrescenta uma data concreta em que voltarás à questão. Isto importa, porque «ainda não» sem prazo transforma-se com muita facilidade num «nunca» bem vestido. Quando há data, a decisão já tem uma moldura.

Prática 4 · Um pequeno passo irreversível

Escolhe uma acção suficientemente pequena para a fazeres hoje e suficientemente real para mudar a direcção. Envia o e-mail. Marca a consulta. Entrega o documento. Recusa o compromisso. Faz o telefonema. Põe a quantia de parte. Escreve a primeira página. Com Manipura o pequeno passo real vale muito mais do que a grande intenção que vive lindamente na cabeça.

Prática 5 · O limite numa frase

Se o assunto envolve uma pessoa, formula o teu limite numa frase curta: «Isto posso.» «Isto não posso.» «Isto aceito.» «Isto já não me dá jeito.» «Preciso de tempo.» Depois lê-a em voz alta algumas vezes. Os limites tornam-se muito mais difíceis quando lhes juntamos dez minutos de justificações. Às vezes uma frase clara faz mais trabalho do que um discurso de defesa inteiro.

Prática 6 · Vinte minutos para uma decisão

Para uma questão sobre a qual já tens informação suficiente, põe um temporizador de vinte minutos. Anota as vantagens, os riscos e o primeiro passo. Quando o tempo acabar, escolhe. Esta prática serve para decisões que a mente transformou num projecto sem fim. Se depois de semanas de análise não há factos novos, mais três horas raramente trazem iluminação. Mais vezes dão ao adiamento uma apresentação melhor arranjada.

Prática 7 · Devolve a força ao corpo

Manipura é tradicionalmente associada à zona do plexo solar e à sensação de força interior. Reserva cinco minutos, põe-te direita, assenta bem os pés e faz algumas respirações naturais. Em cada expiração diz por dentro: «Posso escolher.» Depois faz uma pequena actividade física de que gostes — um passeio curto, alguns alongamentos, movimento com música. A ideia é sair do pensamento encravado e sentires-te em acção. Manipura convence-se com dificuldade só com teoria; gosta de provas.

Prática 8 · O mantra RAM

A Manipura associa-se tradicionalmente o mantra semente RAM, pronunciado aproximadamente «ram». Dá-lhe 5 a 10 minutos, senta-te confortavelmente e na expiração pronuncia devagar «raaam», com voz natural e sem esforço. Depois de algumas repetições segura a pergunta: «Que passo meu espera permissão apenas de mim?» Depois anota a primeira resposta e transforma-a numa acção concreta com data.

Prática 9 · Meditação sonora

Nas práticas actuais com frequências sonoras, o tom 528 Hz é muitas vezes associado a Manipura, à força pessoal e à mudança. É uma associação espiritual e meditativa, sem pretensão de efeito curativo. Ouve num nível baixo ou moderado durante cerca de 5 a 10 minutos e segura a pergunta: «Que acção me devolverá a sensação de estar outra vez a conduzir a minha própria escolha?» Depois anota apenas um passo. Este resultado não precisa de mais uma lista de belas intenções. Precisa que uma delas se torne finalmente real.

O que falta neste período

Com este resultado o que mais falta é o movimento depois da decisão. A clareza talvez já esteja aí. Podes saber há muito o que queres começar, terminar, aceitar ou recusar. A energia perde-se porque uma parte de ti fica na preparação enquanto a vida espera um gesto concreto.

Eu deixaria uma última pergunta: «Se soubesse que ninguém me vai dar permissão, o que faria?» A resposta mostra com muita clareza onde a tua própria vontade cedeu o lugar à aprovação alheia, ao medo de uma reacção ou à esperança de que outra pessoa torne a escolha mais fácil.

Manipura lembra que a força pessoal não se sente apenas quando estás confiante. Constrói-se sempre que tomas uma decisão e assumes a responsabilidade por ela. O portão da imagem escolhida já está aberto. Podes ficar ainda muito tempo diante dele a discutir todos os caminhos possíveis, mas a energia começa a voltar no momento em que dás o primeiro passo.

Os sete chakras — que nível está a trabalhar em ti agora →

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✦ Uma troca de energia ✦

O universo ouve aquilo que dás

Tudo o que fazes de coração — uma palavra, um gesto, um donativo — volta. Não amanhã, não até ao fim da semana, mas no momento em que se juntou o suficiente. Se estas palavras chegaram até ti e algo nelas reconheceu algo em ti, não é por acaso.

E se te apetecer devolver um pouco dessa energia, qualquer quantia é recebida com gratidão e transforma-se em novos textos, novas tiragens, novas palavras que chegarão a alguém que precisa delas mesmo a tempo. É assim que o círculo continua.

✦ Dar com gratidão ✦

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A conversa

Escrito por

Vanya Vuchkova

taróloga e quiromante, criadora do FatedWays

Tiragem de tarô escrita →