Doze arcas seladas. Doze histórias perdidas algures no tempo. Qual delas vais querer descobrir primeiro?
«A sua visita está autorizada. O Arquivo preparou doze achados pessoais. O seu conteúdo só será revelado depois da escolha do destinatário.»
A carta chega sem remetente. O envelope está amarelado, o selo de lacre tem a imagem de uma chave antiga e a data é de há vários séculos. O mais curioso é que traz escrito o teu nome, e com uma letra que nunca viste. No verso encontras outra mensagem: «O destinatário já visitou o Arquivo. Na sua última passagem deixou doze arcas seladas, com a indicação expressa de serem abertas no seu regresso seguinte.»
Lês tudo outra vez. Quando é que visitaste um lugar assim? O que poderias ter lá deixado e porque quiseste que o conteúdo fosse guardado durante tanto tempo? E ainda mais interessante: quem decidiu que era precisamente agora o momento de receberes a carta?
Confesso que eu partia logo. Sobretudo se um dia tivesse deixado doze arcas e hoje não me lembrasse de todo do que lá pus. Espero ao menos ter tido o bom senso de guardar alguma coisa valiosa, e não só velhas cartas de amor de alguém que já na encarnação anterior prometia telefonar e, pelos vistos, ainda anda à procura do momento certo.
Segues a morada e chegas a um edifício antigo, com janelas altas, uma pesada porta de madeira e uma placa de latão onde se lê «Arquivo das vidas esquecidas». Lá dentro esperam-te longos corredores, prateleiras com documentos amarelados, mapas antigos e livros cujos títulos mal se conseguem ler. Ao fundo de uma das salas encontras uma maciça mesa de madeira com doze arcas pousadas em cima. Cada uma é diferente. Uma guarda cartas antigas, outra uma chave, uma terceira um objeto misterioso, e entre as restantes veem-se vestígios de documentos, mapas e memórias esquecidas. Todas têm um número, mas em lado nenhum há uma explicação sobre o que contêm.
Ao lado delas está um bilhete: «As arcas podem ser abertas pela ordem que o destinatário escolher. Recomenda-se que a primeira seja escolhida por intuição.»
Pensa nos lugares que te atraem, embora nunca lá tenhas estado. Na pessoa que conheceste e que, logo na primeira conversa, sentiste invulgarmente próxima. Na ocupação preferida a que voltas sempre, nas histórias que se repetem nas tuas relações ou num desejo teu que parece acompanhar-te desde tempos imemoriais. Se pudesses espreitar uma história imaginária de outra vida, o que quererias saber?
«A porta para uma vida esquecida» foi criada para quem se interessa por vidas passadas, ligações cármicas e pelos segredos da alma humana. Para quem gosta de explorar os próprios sentimentos, as escolhas que se repetem e aquela estranha sensação de que certas pessoas ou lugares lhe são conhecidos há muito tempo. É indicada também para quem queira tirar algum tempo para si, mergulhar numa história fora do comum e descobrir um novo olhar sobre a vida que tem hoje.
Em cada arca espera-te uma viagem simbólica guiada diferente. Vais atravessar uma história que, aos poucos, revela as suas imagens, pessoas, escolhas e mensagens. Podes imaginar uma cidade antiga, um porto distante, a casa de alguém ou uma pessoa desconhecida. Pode ser que encontres um objeto, uma promessa, um encontro ou um desejo que te lembre algo da tua própria vida. No fim da experiência poderás escrever as tuas impressões e refletir sobre o significado pessoal que têm para ti.
Estas viagens usam a imaginação, a música e o simbolismo cármico como forma de exploração pessoal. As imagens que surgirem podem ser inspiradas por memórias tuas, histórias que leste, sonhos e associações, e não constituem prova de vidas passadas reais.
Escolhe um momento em que possas ficar a sós contigo. Instala-te confortavelmente, desliga as notificações do telemóvel e, se quiseres, põe a música instrumental a tocar. Deixa-a soar baixinho, como fundo da história. À tua frente vão aparecer doze arcas numeradas. Observa-as com atenção e escolhe aquela que mais te prende o olhar. Pode intrigar-te a chave, um documento antigo, um ornamento invulgar ou apenas a sensação de que queres saber o que se esconde precisamente ali.
A música começa baixinho assim que tocas na página pela primeira vez. A barra em baixo, no centro do ecrã, para-a, baixa-a e sobe-a.
Depois de fazeres a tua escolha, abre-se a tua viagem pessoal. Lê devagar e dá tempo à imaginação para construir as cenas. Podes fechar os olhos por instantes depois de cada parte ou manter o olhar na imagem. Passa ao passo seguinte quando quiseres. Se alguma imagem se tornar desagradável, podes saltar essa parte, terminar a experiência e voltar a atenção para o espaço conhecido à tua volta.
Deixa a história desenrolar-se com naturalidade. Podes ver imagens nítidas, ou podem surgir apenas impressões soltas. Guarda os pormenores que mais te atraem — um rosto, um lugar, uma cor, um objeto, uma palavra ou um sentimento. No fim terás a possibilidade de os escrever no teu «Diário do regresso».
Depois da primeira viagem, a escolha volta a ser tua. Podes terminar a visita, abrir mais uma arca ou explorar todas as doze. Cada uma vai levar-te a uma história simbólica diferente, e as tuas impressões podem mudar em cada nova visita.
Agora olha para as doze arcas. Algures entre as chaves antigas, as cartas amareladas e os objetos esquecidos espera-te a primeira história que vais querer descobrir.
Escolhe uma arca de 1 a 12 e quebra o seu selo. O Arquivo está aberto.
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