← Voltar
BGENRUDEFRESITPT
↑
FatedWays
Tiragem de tarô

O que regressa
a ti?

Dez posições e quatro direções. Algo do passado entra outra vez na tua vida; a tiragem mostra porquê agora e o que te pede.

Para a escolha

Para baixo✦
← Blogue

O telefone acende-se e no ecrã está um nome que não vês há anos. A mensagem é curta: «Lembrei-me de ti.» E em poucos segundos o passado já está sentado ao teu lado com toda a sua história, como se tivesse sido convidado. A outra pessoa o regresso chega como uma candidatura antiga, uma nova proposta de trabalho, um imóvel que volta a aparecer, uma conversa de família que todos foram adiando, ou um sonho que de repente começa a parecer inteiramente possível. A forma é diferente, e a pergunta é uma: porque é que isto regressa justamente agora?

Esta tiragem é para os momentos em que algo do passado entra outra vez na tua vida e pede resposta. Vai mostrar o que regressa na verdade, através de quem ou de que vai aparecer, o que mudou desde a primeira vez, o que ficou não dito e inacabado, e que padrão antigo pode voltar a ligar-se. Vais ver o que nesta história ainda tem valor, o que merece uma segunda oportunidade, qual é a tua tarefa concreta e que parte já pode ser fechada.

Entre a primeira e a segunda vez há uma diferença muito importante: já tens experiência. Sabes o que aconteceu depois da escolha anterior, como te sentiste, o que te escapou e o que farias de outra maneira hoje. A vida gosta bastante de exames de recurso, só que raramente faz as mesmas perguntas palavra por palavra. Muda a pessoa, as circunstâncias, a quantia, a cidade ou o momento, e olha se a tua resposta continua a ser a mesma.

Vais poder escolher uma de quatro direções: um amor antigo, uma oportunidade de trabalho, dinheiro ou um projeto, uma história familiar ou pessoal do passado, ou um sonho que quer outra vez um lugar na tua vida. Cada variante entra no tema à sua maneira e leva à sua própria leitura, à sua própria prática e à sua própria pergunta sobre o passo seguinte.

Antes de escolher, termina uma frase na tua cabeça: «Se isto regressa a mim por uma razão, estou pronto para entender…» Fica com a primeira coisa que vier. Depois escolhe a história que mais se parece com a tua.

A pergunta principal de toda a tiragem é: «Isto regressa para ficar, ou regressa para que eu possa finalmente terminá-lo?»

A tiragem · dez posições

1. O que regressa a ti?

CartasSeis de Copas · O Julgamento · Oito de Copas invertido · O Mundo invertido · A Roda da Fortuna

Define o cerne do regresso. Uma pessoa, um sentimento, uma situação, um tema ou uma parte antiga da vida entra outra vez no teu campo de visão.

2. Através de quem ou de que vai aparecer?

CartasPajem de Espadas · Cavaleiro de Copas · Três de Copas · Pajem de Ouros · A Justiça

Dá a forma pela qual o passado regressa — uma mensagem, um encontro, uma proposta, um documento, um conhecido comum, uma oportunidade profissional ou uma pessoa concreta.

3. Porque é que regressa justamente agora?

CartasO Julgamento · A Morte · O Eremita · A Torre · A Sacerdotisa

Examina o que mudou desde a primeira vez e porque é que esta história volta a ter lugar na tua vida precisamente neste período.

4. O que ficou não dito?

CartasDois de Espadas · Rainha de Espadas · Pajem de Copas · Cinco de Copas · Ás de Espadas

Tira as palavras que faltam na história antiga — uma confissão, uma verdade, um pedido de desculpa, uma pergunta, um sentimento ou um limite.

5. O que ficou inacabado?

CartasO Mundo invertido · Três de Ouros · Oito de Ouros · A Justiça · Dez de Paus

Esta é a parte prática da história. O que ainda pede uma decisão, uma ação, um fecho, uma devolução, um pagamento, trabalho ou uma escolha definitiva.

6. O que se repetirá se entrares no mesmo padrão antigo?

CartasO Diabo · Sete de Espadas · Cinco de Paus · A Lua · Dois de Ouros

Uma das posições mais importantes. Apanha o ciclo que já conheces: apego, evitamento, ciúme, silêncio, hesitação, controlo, ou uma escolha que se adia sem parar.

7. O que merece de verdade uma segunda oportunidade?

CartasA Estrela · A Temperança · Ás de Copas · Ás de Ouros · Os Amantes

Separa a nostalgia da possibilidade real. Se na história há algo que pode ser construído de uma maneira nova, esta posição dá o seu núcleo.

8. O que tens de levar até ao fim?

CartasO Mundo · A Justiça · Dez de Paus · Oito de Copas · A Morte

Dá o trabalho concreto que te fica — uma conversa, uma decisão, uma ação, um limite, um fecho ou um último passo.

9. O que é tempo de deixar no passado?

CartasCinco de Copas · O Diabo · Nove de Espadas · Quatro de Ouros · Sete de Copas

Examina aquilo que já cumpriu o seu papel e continua a ocupar lugar nos teus pensamentos, nos teus sentimentos ou nas tuas decisões.

10. O que começa quando esta história recebe a sua resposta?

CartasO Louco · O Carro · O Sol · A Roda da Fortuna · Ás de Paus

A posição final olha para além do fecho. Mostra que direção nova se liberta depois da conversa, da decisão ou da despedida da versão antiga da história.

No Jogo da AlmaDepois da leitura, a continuação natural é Deixar ir, quando o regresso tem a ver com uma pessoa, um apego antigo ou uma história que ainda ocupa demasiado espaço interior. Se o regresso te põe diante de uma escolha — tentar outra vez, seguir noutra direção ou decidir entre duas possibilidades — continua com A Encruzilhada. E quando quiseres entender porque é que este período se ativa justamente agora, O Mestre celeste acrescenta ao quadro o teu mapa natal.

A pergunta principal«Isto regressa para ficar, ou regressa para que eu possa finalmente terminá-lo?»

O passado raramente regressa com o mesmo rosto. Uma vez chega como pessoa, outra como proposta, história antiga ou desejo deixado pelo caminho. Escolhe o que sentes mais perto de ti e vê porque é que aparece outra vez agora.

Escolhe a tua história

Toca na cena que mais se parece com a tua — e ela abre-se logo aqui em baixo.

1 · Entre nós outra vez

Esta variante é para uma pessoa que já fez parte da tua vida amorosa e volta a aparecer nela — com contacto real, com uma notícia, com um encontro, ou simplesmente com aquela presença insistente nos pensamentos que nunca pergunta se te dá jeito. Entre os dois houve sentimento, atração, proximidade ou uma relação que ficou com mais pontos de interrogação do que tu querias. Agora as cartas olham o que exatamente regressa entre os dois, porque é que esta história se abre outra vez, o que ainda os liga, o que pode levá-los de volta ao padrão antigo e se há uma possibilidade verdadeira de começar do lugar onde estão hoje.

A pergunta principal é: «Porque é que esta pessoa entra outra vez na minha vida, e há entre nós uma continuação verdadeira?»

1. O que regressa na verdade entre os dois?

CartasSeis de Copas · O Julgamento · Os Amantes · A Roda da Fortuna · Dois de Copas

Entre os dois regressa um sentimento que deixou marca em ambos. O Seis de Copas traz a memória do que foi bom, da proximidade e daquela sensação de que esta pessoa foi um dia uma parte muito natural da tua vida. O Julgamento abre uma história que parecia fechada, e Os Amantes e o Dois de Copas dão atração, uma ligação emocional e a possibilidade de se olharem outra vez como homem e mulher, além do papel de duas pessoas com um passado comum.

A Roda da Fortuna é aqui a carta importante, porque mostra que as circunstâncias já são outras. Alguém mudou a sua vida, tomou uma decisão, fechou outra história ou simplesmente chegou a um momento em que o sentimento antigo pode ser visto outra vez sem aquele ruído em volta.

Em algumas pessoas isso vai sentir-se já na primeira conversa. Noutras chega primeiro aquela estranha leveza, como se entre o último encontro e este tivessem passado alguns dias e não anos. E é justamente aí que começa a pergunta verdadeira: o que há entre os dois agora, quando ambos já são outras pessoas?

2. Como vai aparecer outra vez na tua vida?

CartasPajem de Copas · Cavaleiro de Copas · Pajem de Espadas · Oito de Paus · Três de Copas

O contacto pode começar de forma muito natural — uma mensagem, uma reação, um conhecido comum, um encontro por acaso, um convite ou um pretexto que parece quase acidental. O Pajem de Espadas dá interesse e observação à distância, o Pajem de Copas traz uma aproximação mais suave, e o Cavaleiro de Copas entra já com o desejo de que a conversa se torne pessoal.

O Oito de Paus acelera as coisas, por isso o primeiro contacto pode tornar-se rapidamente mais frequente, mais longo e com mais conteúdo. O Três de Copas admite também um acontecimento comum, amigos, um lugar onde os dois voltam a cruzar-se, ou uma conversa que começa leve e depois se descobre que levou duas horas sem autorização.

Esta pessoa pode primeiro verificar se há espaço para se aproximar. Depois já ficará claro se a curiosidade dela é curta ou se tem intenção de ficar no contacto.

3. Porque é que regressa justamente agora?

CartasO Eremita · O Pendurado · A Morte · A Torre · A Sacerdotisa

Entre a primeira história e o momento de agora houve tempo suficiente para que coisas importantes mudassem. O Eremita e O Pendurado dão distância, espera e um período em que cada um teve de ficar com as suas próprias decisões. A Morte mostra uma etapa terminada, e A Torre traz uma mudança que abanou a vida antiga de alguém e tornou desnecessárias algumas desculpas anteriores.

É possível que um dos dois tenha passado por uma separação, uma mudança de casa, uma mudança no trabalho, uma perda de segurança ou um acontecimento que alterou a sua ideia de amor e de proximidade. A Sacerdotisa guarda aquilo que entre os dois ficou por dizer e nunca desapareceu por completo.

O regresso chega num momento em que ambos têm mais experiência e menos vontade de jogar ao «quem finge primeiro que não sente nada». Isso em si já é um bom começo.

4. O que ficou não dito entre os dois?

CartasRainha de Espadas · Ás de Espadas · Cinco de Copas · Quatro de Espadas · Sete de Espadas

Entre os dois ficou uma conversa que nunca teve um fim verdadeiro. Pode haver uma confissão, uma razão para a rutura, um medo, um arrependimento, um sentimento ou uma verdade que um deles reteve, porque o momento era mau, o orgulho era grande demais ou simplesmente ninguém sabia como começar.

O Cinco de Copas traz o arrependimento, o Quatro de Espadas dá um silêncio que se prolongou, e o Sete de Espadas sugere que parte da verdade foi contornada. Alguém contou a versão cómoda ou deixou o outro acabar a história sozinho.

O Ás e a Rainha de Espadas pedem agora clareza. Se o contacto entre os dois continuar, vão chegar a uma conversa que pode mudar a maneira como olhas o fim antigo. E isso importa, porque uma relação nova tem poucas possibilidades enquanto ambos continuarem a viver em versões diferentes do que aconteceu.

5. O que entre os dois ainda não tem fim?

CartasO Mundo · Dez de Paus · Três de Ouros · Oito de Ouros · A Justiça

Entre os dois ficou algo que pede uma decisão real. Pode ser uma promessa, um plano comum, uma conversa sobre o futuro, uma questão de confiança, ou a sensação de que a relação se interrompeu justamente antes de chegarem a uma etapa mais séria. O Mundo procura a inteireza, A Justiça pede honestidade, e o Três e o Oito de Ouros falam de uma relação que precisa de esforço dos dois.

O Dez de Paus mostra que antes o peso estava provavelmente distribuído de forma desigual. Um procurava, esperava, propunha, explicava ou fazia tudo o que podia para que a relação ficasse viva. Se houver uma segunda oportunidade, é justamente isso que tem de mudar. O amor é maravilhoso, e uma só pessoa não pode ser ao mesmo tempo companheiro, coordenador, telefonista e departamento de desenvolvimento da relação.

6. Que padrão antigo pode repetir-se?

CartasO Diabo · A Lua · Cinco de Paus · Dois de Ouros · Nove de Espadas

O risco mais forte é a atração antiga trazer também os medos antigos. O Diabo dá uma química muito forte, apego e dificuldade em afastarem-se um do outro, A Lua traz dúvidas e suposições, e o Dois de Ouros devolve a hesitação. O Cinco de Paus acrescenta luta pela vantagem, e o Nove de Espadas mostra com que facilidade a memória do fim antigo pode entrar no contacto novo.

Uma mensagem atrasada pode abrir um medo antigo. Um encontro mais frio pode acordar uma suspeita. Uma frase pode devolver toda uma cena do passado. Por isso a segunda oportunidade vai precisar de mais clareza e de menos leitura entre linhas, sobretudo enquanto as linhas ainda não estão escritas.

7. O que entre os dois merece uma segunda oportunidade?

CartasA Estrela · A Temperança · Ás de Copas · Quatro de Paus · O Sol

Entre os dois há uma boa base onde ainda estão vivos o calor, a atração e a alegria pela presença do outro. A Estrela traz recuperação depois da distância, A Temperança ajuda a encontrar um ritmo novo, e o Ás de Copas dá a possibilidade de viver o sentimento a partir de outro ponto.

O Quatro de Paus e O Sol dão encontros, abertura, proximidade e a possibilidade de a relação se tornar mais clara e mais estável. O que merece uma segunda oportunidade é a capacidade que têm de se fazerem bem um ao outro, quando ambos estão prontos para participar a sério.

Se as conversas correm com leveza, se os encontros chegam com naturalidade e se o interesse se mostra dos dois lados, há uma base sobre a qual construir.

8. Qual é o teu passo agora?

CartasA Força · Rainha de Copas · O Mago · O Carro · Rei de Espadas

O teu passo é ser aberto e guardar a tua própria medida. A Rainha de Copas admite o sentimento, A Força guarda o respeito por ti, O Mago dá iniciativa, e O Carro e o Rei de Espadas pedem ações claras e palavras claras.

Se queres que se vejam, podes mostrá-lo. Se tens uma pergunta, fá-la. Se há algo que desta vez não vais aceitar, di-lo a tempo. A outra pessoa tem dificuldade em passar um exame de cuja existência ninguém a avisou.

Tu dás o teu passo e depois observas o dela. É aí que vais ver muito mais do que em dez conversas sobre intenções.

9. O que da relação antiga tem de ficar atrás?

CartasOito de Copas · Dez de Espadas · Cinco de Espadas · Quatro de Ouros · Sete de Copas

O fim antigo já deu tudo o que podia dar. O Oito de Copas e o Dez de Espadas libertam a dor acumulada, o Cinco de Espadas fecha as batalhas antigas e a necessidade de alguém ter razão, e o Quatro de Ouros mostra com que facilidade uma pessoa se pode agarrar à versão conhecida da história só porque a conhece bem.

O Sete de Copas acrescenta a imagem idealizada da relação e a ideia de como tudo devia ter corrido. Se os dois tentarem outra vez, esta é uma das partes mais importantes: encontrem-se como as pessoas que são agora. O arquivo antigo pode continuar arquivo, e não precisa de estar presente como terceira pessoa em cada café.

10. O que pode começar entre os dois agora?

CartasO Louco · Ás de Paus · Dez de Copas · A Imperatriz · Seis de Paus

A posição final dá uma possibilidade muito boa de começo novo. O Louco abre uma página nova, o Ás de Paus devolve o desejo e a atração, A Imperatriz traz desenvolvimento e proximidade, e o Dez de Copas dá a perspetiva de uma relação que pode tornar-se verdadeiramente importante e plena no plano dos sentimentos.

O Seis de Paus acrescenta clareza e a sensação de que desta vez a relação pode receber um lugar mais visível na vida dos dois. O potencial é forte quando os dois criam uma ligação entre as pessoas em que se tornaram, em vez de restaurar aquilo que foi.

Há um detalhe agradável: desta vez já conhecem pelo menos uma parte do manual de instruções. Falta ver se ambos estão prontos para o ler.

A prática «Um encontro sem passado»

Pega em dois copos iguais e deita neles a mesma quantidade de água. O primeiro é «aquilo que houve entre nós», o segundo «aquilo que pode haver entre nós hoje». Põe-nos à distância um do outro e entre eles acende uma vela branca sobre uma base segura.

Olha o primeiro copo e lembra-te de três momentos da relação antiga: um em que foste verdadeiramente feliz, um que te feriu, e um que até hoje não entendes por completo. Fica um pouco com eles e diz: «Sou a pessoa que viveu esta história e já sabe mais sobre si.»

Depois leva a atenção para o segundo copo. Imagina um encontro comum com esta pessoa hoje — um café, um passeio, um jantar, uma conversa. Imagina como queres sentir-te ao lado dela e como queres tu mesmo estar presente nesse encontro. Depois diz: «Estou pronto para ver o que há entre nós hoje.»

Deita a água do primeiro copo no lava-loiça. O segundo deixa-o junto à vela mais alguns minutos e depois deita-o também. Assim deixas a vivência antiga onde é o seu lugar e não escreves de antemão o guião do futuro. Fica o presente, no qual duas pessoas podem realmente encontrar-se.

A regra da metade

Se o contacto entre os dois se restabelecer, observa a reciprocidade nas duas semanas seguintes. Mostra interesse, responde, propõe um encontro se o quiseres, e sê aberto, deixando espaço para ver o que vem do outro lado.

A contagem de mensagens, encontros e minutos até à resposta deixa-a para a contabilidade antes do fecho do mês. Olha o movimento no conjunto. Há iniciativa? Há vontade de te ver? Há tempo para ti? Há constância depois da emoção inicial?

Uma relação começa a ter futuro quando são os dois a movê-la para a frente.

Uma afirmação para esta variante

Durante sete dias diz uma vez por dia: «Estou pronto para encontrar esta pessoa tal como ela é hoje, e sou livre de escolher que lugar tem na minha vida.»

Esta tiragem pode abrir uma continuação amorosa, e a sua resposta mais importante é se há entre os dois um presente sobre o qual ambos podem construir um futuro.

No Jogo da AlmaSe quiseres olhar a própria ligação mais de perto, entra em Amor. Se esta história acordar um apego antigo que ainda ocupa demasiado espaço, continua em Deixar ir. E se o encontro te puser diante da decisão de começar outra vez ou seguirem caminhos diferentes, abre A Encruzilhada.

O teu sinalO passado já os juntou uma vez. Agora a vida vai mostrar se se escolhem outra vez.

2 · A segunda oportunidade

Esta variante é para uma oportunidade que já passou uma vez pela tua vida e por alguma razão não chegou ao fim. Pode ser um trabalho, uma ideia de negócio, um projeto, um imóvel, uma formação, uma candidatura, um cliente, um investimento ou uma proposta que na altura recusaste, deixaste passar ou simplesmente não pudeste usar. Agora uma porta parecida abre-se outra vez, e desta vez tens uma vantagem séria: já sabes o que aconteceu na primeira tentativa, o que te custou e o que na altura não viste a tempo.

As cartas olham o que exatamente regressa, através de quem chega, que condição foi deixada de fora, o que ainda tem valor real e se a versão de hoje desta oportunidade merece o teu tempo, o teu dinheiro e o teu esforço. Uma segunda oportunidade só faz sentido quando passou pela experiência da primeira.

A pergunta principal é: «O que regressa como oportunidade, e merece um “sim” desta vez?»

1. Que oportunidade regressa?

CartasÁs de Ouros · O Julgamento · A Roda da Fortuna · Seis de Ouros · Três de Paus

Regressa uma oportunidade com um rosto muito concreto. O Ás de Ouros pode ser um contrato novo, um trabalho, dinheiro, um imóvel, uma formação ou uma ideia que já tem possibilidade de dar um resultado real. O Julgamento abre um tema que consideravas fechado, e A Roda da Fortuna muda as circunstâncias em volta. O Seis de Ouros traz troca, pagamento, apoio ou financiamento, e o Três de Paus alarga a direção para outra cidade, o estrangeiro, um mercado novo ou uma escala maior.

A própria oportunidade pode ter outro aspeto do que na primeira vez. A candidatura antiga pode voltar como proposta de outra empresa, o plano de mudança aparecer com uma cidade nova, a ideia de um negócio próprio chegar através de um sócio ou de um cliente, e um projeto que na altura era cedo pode ter agora público, meios e tempo.

Vais reconhecê-la por uma sensação muito característica: «Já estive perto disto.» E desta vez a pergunta é o que podes fazer com ela.

2. De onde vai chegar?

CartasPajem de Ouros · Cavaleiro de Ouros · Oito de Paus · Três de Copas · Rei de Ouros

A proposta chega através de uma pessoa ou de um meio capazes de transformar a ideia em algo real. O Pajem de Ouros traz uma informação, um anúncio, uma proposta ou uma conversa concreta. O Cavaleiro de Ouros dá seriedade e constância, e o Rei de Ouros pode ser um empregador, um dono de negócio, um cliente, um investidor ou alguém que tem recursos e o direito de decidir.

O Oito de Paus acelera a comunicação, por isso depois de um silêncio longo tudo pode pôr-se em marcha em dias. O Três de Copas dá uma recomendação, um antigo colega, um conhecido, um encontro ou uma conversa começada sobre um tema completamente diferente.

Alguém pode simplesmente dizer: «Lembrei-me de ti.» Estas quatro palavras podem ter um futuro financeiro bastante melhor do que metade das citações motivacionais da internet.

3. Porque é que a oportunidade regressa agora?

CartasO Eremita · O Pendurado · A Justiça · A Morte · A Sacerdotisa

A primeira tentativa precisava de tempo. O Eremita e O Pendurado dão um período em que juntaste conhecimento, mudaste o teu ponto de vista ou simplesmente amadureceste para uma decisão que na altura era demasiado grande. A Justiça traz contratos, regras, documentos e condições claras, e A Morte fecha uma etapa antiga. A Sacerdotisa sugere que o tema ficou em algum lugar dentro de ti, mesmo quando por fora nada acontecia.

Hoje podes ter mais experiência, melhores contactos, outra posição financeira ou uma ideia muito mais clara do que estás disposto a aceitar. É possível que a mudança esteja do outro lado: apareceu um orçamento, um lugar vago, um comprador, financiamento, um sócio novo ou um prazo concreto.

Agora já há condições para levar a história mais longe do que na primeira vez.

4. O que não viste ou não combinaste na altura?

CartasÁs de Espadas · Rainha de Espadas · Sete de Espadas · Dois de Espadas · Quatro de Copas

Esta posição entra direta na razão pela qual a primeira tentativa se desfez. O Ás e a Rainha de Espadas pedem factos exatos, condições claras e uma conversa sem enfeites. O Sete de Espadas traz um detalhe deixado de lado, informação retida, ou uma pessoa que apresentou a situação de forma mais cómoda para si. O Dois de Espadas mostra uma decisão tomada sem o quadro completo, e o Quatro de Copas admite uma possibilidade que na altura subestimaste.

Pode ter havido uma remuneração baixa, um prazo pouco claro, uma despesa escondida, um sócio inadequado, um contrato com más condições ou um risco que viste demasiado tarde. Noutro caso o problema estava na tua própria decisão: adiavas, esperavas um momento melhor ou recusaste algo que hoje avalias de outra maneira.

Desta vez lê com atenção, pergunta os números concretos e esclarece quem responde por quê. Se houver dinheiro, vê a quantia. Se houver contrato, vê as condições. Se houver uma promessa, pede um prazo. Se houver um «vamos arranjar maneira», descobre quem exatamente vai arranjar e quando. A calculadora pode ser uma conselheira espiritual muito boa quando a conversa chega ao orçamento.

5. O que ficou inacabado?

CartasOito de Ouros · Três de Ouros · Dez de Paus · O Mundo · Quatro de Ouros

Há trabalho realmente investido que ainda pode ser usado. O Oito e o Três de Ouros falam de uma competência, de uma formação, de um projeto ou de uma colaboração em que já puseste tempo. O Mundo quer o fecho, e o Quatro de Ouros guarda um recurso que continua disponível — dinheiro, materiais, contactos, um documento, conhecimentos ou uma ideia.

O Dez de Paus sugere porque é que paraste. A carga era demasiado grande, tomaste demasiado sobre ti, ou toda a tarefa começou a depender principalmente de ti. Podes ter tido uma boa ideia com uma organização terrível, um projeto excelente com o sócio errado, ou um trabalho que pedia três pessoas quando o orçamento dava para uma e meia.

Agora já podes usar o que está feito e mudar a maneira como o terminas. Parte do caminho já está paga com tempo e experiência.

6. Que erro antigo pode repetir-se?

CartasO Diabo · Cinco de Ouros · Sete de Ouros · Dois de Ouros · Nove de Paus

O maior risco é aceitar por medo e depois pagar o preço com tempo, nervos ou dinheiro. O Diabo pode dar apego à segurança, à remuneração alta, ao prestígio ou à promessa de um grande resultado. O Cinco de Ouros traz o medo de perder a oportunidade, e o Sete de Ouros mostra uma longa espera por um retorno que fica sempre «muito em breve».

O Dois de Ouros fala de demasiadas tarefas ao mesmo tempo, e o Nove de Paus traz já uma pessoa cansada que continua porque investiu demasiado para desistir. É justamente essa armadilha que importa: uma oportunidade pode começar bem e depois transformar-se em algo que continuas só porque já deste muito.

Se a primeira tentativa acabou em esgotamento, desta vez determina de antemão quanto tempo e quantos recursos dás. Se esperavas a promessa de outro, combina um prazo. Se trabalhavas contra milagres futuros, pede um pouco mais de presente.

7. O que merece de verdade uma segunda oportunidade?

CartasA Estrela · A Temperança · O Sol · O Mago · O Imperador

As cartas dão um potencial forte onde podes participar de forma ativa e ter controlo sobre as decisões importantes. A Estrela devolve uma ideia com perspetiva, A Temperança encontra o ritmo certo, e O Sol dá clareza e a possibilidade de o resultado ser visível. O Mago traz competências e recursos, e O Imperador pede estrutura, regras e um plano.

Aqui há boas cartas para um negócio próprio, um cargo de chefia, um projeto com realização clara, um imóvel ou uma proposta em que já tens melhor posição para negociar. O valor está no que pode crescer e tornar-se um resultado duradouro, além da impressão da primeira conversa.

Se consegues ver o caminho da ideia até ao resultado real, a oportunidade merece atenção. E se houver também um prazo, um orçamento e uma pessoa que atende o telefone, já estamos quase estragados com mimos.

8. O que tens de fazer desta vez?

CartasO Carro · A Força · Rei de Espadas · Rainha de Ouros · Seis de Paus

Desta vez entra com uma posição. O Carro pede uma decisão clara, A Força guarda a confiança, o Rei de Espadas põe as condições, e a Rainha de Ouros olha o dinheiro, o tempo e o lado prático. O Seis de Paus permite pedir mais e reconhecer o teu próprio valor.

Num trabalho, negocia a remuneração e as responsabilidades. Num negócio, calcula o orçamento e o prazo de retorno. Num imóvel, verifica os documentos e todas as despesas adicionais. Numa formação, vê o que recebes concretamente no fim. Numa parceria, esclarece quem traz o quê e quem recebe o quê.

Desta vez «depois entendemo-nos» merece mais algumas perguntas. As boas relações sobrevivem muito bem a um esclarecimento por escrito.

Diz a ti mesmo: «Estou pronto para aceitar uma boa oportunidade e estou pronto para pedir as condições em que ela tem de verdade valor para mim.»

9. O que da experiência antiga deves deixar?

CartasDez de Espadas · Cinco de Copas · Oito de Copas · Cinco de Espadas · Quatro de Espadas

A desilusão antiga pode fazer a proposta nova parecer mais perigosa do que é. O Dez de Espadas e o Cinco de Copas trazem a memória de um fracasso, de uma perda, ou de um momento em que investiste muito e recebeste demasiado pouco. O Oito de Copas já partiu dessa história, o Cinco de Espadas deixa atrás a necessidade de provar de quem foi a culpa, e o Quatro de Espadas devolve a pausa clara antes de uma decisão.

O resultado anterior já te deu informação. Usa-a como referência, sem a transformar em previsão para cada oportunidade seguinte. Um mau empregador não representa toda a economia, um projeto que falhou não é um parecer oficial sobre todas as tuas ideias, e um sócio inadequado não recebe licença para toda a vida para decidir como vais trabalhar com pessoas daqui em diante.

A experiência antiga já ganhou o seu salário. Deixa-a ser experiência.

10. O que começa se aceitares a oportunidade certa?

CartasO Louco · Ás de Paus · Nove de Ouros · Dez de Ouros · A Imperatriz

A posição final é muito forte para crescimento material e profissional. O Louco abre uma etapa nova, o Ás de Paus dá vontade e energia para o arranque, e o Nove de Ouros traz mais independência e confiança no teu próprio valor. O Dez de Ouros olha já para um rendimento estável, património, um negócio ou um resultado que fica no tempo. A Imperatriz acrescenta desenvolvimento e a capacidade de criar muito mais a partir de uma oportunidade.

Isto pode ser um trabalho que aos poucos muda a tua posição financeira, um projeto teu que começa a dar rendimento, uma compra com valor a longo prazo, uma qualificação que abre uma nova direção profissional, ou um negócio que finalmente tem condições para crescer.

A segunda oportunidade pode revelar-se muito mais forte do que a primeira, porque já sabes o que perguntar, o que verificar e quanto vale o teu tempo.

A prática «Três envelopes e uma moeda»

Para esta variante precisas de três envelopes pequenos ou três folhas dobradas e uma moeda. No primeiro escreve «NA ALTURA», no segundo «AGORA», e no terceiro «O PREÇO E O VALOR».

No primeiro envelope põe uma descrição curta de porque é que a primeira tentativa parou. Anota os factos: não tinhas dinheiro suficiente, as condições eram más, recusaste a proposta, o sócio retirou-se, o momento era inadequado, ou tu mesmo ainda não estavas pronto. Bastam algumas frases. A história já a conheces.

No segundo escreve o que é diferente hoje. Que experiência tens, que recursos estão disponíveis, que condição mudou e o que já podes fazer melhor. Põe a moeda dentro como símbolo do valor de hoje — o teu, o do teu trabalho e o da tua decisão.

No terceiro envelope divide a folha em duas partes. De um lado escreve «O que me vai custar o meu SIM?», do outro «O que recebo por esse preço?». Inclui tempo, dinheiro, esforço, mudanças, risco, rendimento, possibilidades, conhecimento, liberdade ou segurança. Depois termina uma frase: «Estou pronto a pagar esse preço se…» e põe a tua condição concreta.

Deixa os três envelopes até ao dia seguinte. Depois guarda «NA ALTURA» e lê um após o outro apenas «AGORA» e «O PREÇO E O VALOR». Se a proposta continuar a parecer boa depois de teres visto o seu preço real, já tens motivo para a examinar a sério.

72 horas antes do «sim»

Quando a oportunidade aparecer de verdade, dá-te até 72 horas para a verificar, se o prazo o permitir. Usa o tempo para factos: pede as condições por escrito, faz a conta, verifica os documentos e fala com alguém que entenda a área concreta. Os três dias são mais úteis quando levam informação dentro, em vez de 72 horas a olhar para o teto a produzir vinte e sete cenários.

Depois faz-te três perguntas: «O que ganho se aceitar?» «O que me vai custar de verdade?» «Dentro de um ano, de que me arrependeria mais — de ter tentado ou de ter recusado?»

A última pergunta tem o excelente hábito de separar o desejo verdadeiro do medo puro.

Uma afirmação para esta variante

Durante sete dias diz uma vez por dia: «Estou pronto para reconhecer o valor da oportunidade e sou capaz de escolher as condições que são boas para mim.»

Esta tiragem olha se a tua vida de hoje tem lugar para a oportunidade que regressa, e se desta vez ela pode dar um resultado digno do esforço.

A primeira oportunidade deu-te experiência. A segunda começa com uma pessoa que já sabe o que perguntar, o que pedir e quanto vale o seu «sim».

No Jogo da AlmaSe o tema é rendimento, um negócio ou um trabalho teu, olha-o em Dinheiro. Se esta oportunidade te põe diante de uma escolha séria sobre trabalho, negócio, mudança de casa ou a direção seguinte, continua em A Encruzilhada. E se o fracasso ou o medo antigo ainda influencia a tua decisão, a continuação natural é Deixar ir.

O teu sinalUma boa oportunidade aguenta perguntas. É justamente por isso que vale a pena fazê-las.

3 · A história antiga

Esta variante é para uma história que começou muito antes da tua pergunta de agora. Pode estar ligada à família, à linhagem, a uma amizade antiga, a uma casa, a uma promessa, à culpa, a um conflito ou a um acontecimento passado há muito que continua a influenciar a maneira como escolhes, reages e assumes responsabilidade. Alguma situação no presente acorda uma sensação conhecida e de repente entendes que essa cena já foi representada — por ti há anos, por um dos teus pais, por uma avó ou um avô, ou simplesmente por toda a família com outros atores. A linhagem tem uma memória invejável e guarda alguns guiões melhor do que um arquivo nacional.

As cartas olham que história se ativa outra vez, através de quem chega, o que ficou não dito, que papel familiar continuas a carregar, o que vale a pena guardar e que parte já pode terminar contigo.

A pergunta principal é: «O que do passado ainda influencia a minha vida e porque é que se ativa outra vez?»

1. Que história antiga regressa?

CartasSeis de Copas · O Julgamento · A Lua · Dez de Copas · Cinco de Copas

O Seis de Copas devolve à infância, ao ambiente familiar e às pessoas que participaram nas tuas primeiras ideias de proximidade, segurança e pertença. O Dez de Copas aponta diretamente para a família e para aquilo que aprendeste sobre o amor, a lealdade e os papéis em casa. O Julgamento acorda um tema que foi durante muito tempo parte do fundo, A Lua traz medo, confusão ou uma versão familiar da verdade, e o Cinco de Copas guarda uma perda, um arrependimento ou a sensação de que algo poderia ter corrido de outra maneira.

A história pode ser inteiramente concreta: um conflito antigo, uma amizade interrompida, uma herança, uma casa perdida, uma promessa que ninguém cumpriu, uma rutura na família, ou um acontecimento de que cada um se lembra de forma diferente. Pode também ser um papel passado de forma muito mais silenciosa — um é sempre o forte, outro guarda a paz, um terceiro salva todos, um quarto carrega culpa até por coisas que nunca estiveram nas suas mãos.

Agora o presente toca o mesmo lugar e dá-te a possibilidade de entender de onde vem na verdade a tua reação.

2. Através de quem ou de que se ativa?

CartasPajem de Copas · Três de Copas · Rainha de Copas · Rei de Copas · Pajem de Espadas

O tema pode ativar-se através de um familiar, de um amigo antigo, de um encontro de família, de uma conversa, de uma notícia, ou de uma pessoa que de alguma maneira te lembra uma figura do passado. A Rainha e o Rei de Copas trazem figuras emocionais fortes, o Pajem de Copas devolve um tema de um período anterior, e o Três de Copas dá um encontro, um pretexto ou um contacto restabelecido. O Pajem de Espadas acrescenta informação que te chega tarde ou de alguém de quem não a esperavas.

Uma frase inteiramente comum pode abrir uma memória antiga. Alguém diz algo, tu reages com mais força do que a situação supõe, e só depois entendes que a conversa começou muito antes do dia de hoje.

Presta atenção também às pessoas por quem sentes uma reação inexplicavelmente forte. Muitas vezes carregam num lugar que já existe em ti.

3. Porque é que regressa justamente agora?

CartasO Eremita · O Pendurado · A Morte · A Sacerdotisa · A Roda da Fortuna

Agora tens experiência que muda a maneira como olhas a história antiga. O Eremita traz maturidade e distância, O Pendurado muda o ponto de vista, e A Morte fecha um papel antigo ou uma etapa de vida. A Roda da Fortuna devolve um tema conhecido num momento novo, e A Sacerdotisa acrescenta um saber que foi durante muito tempo sensação sem palavras.

Podes ter chegado à idade em que o teu pai ou a tua mãe tomou uma decisão importante. Podes estar a passar pelo mesmo tema com dinheiro, casa, trabalho ou família. Podes ouvir-te a dizer uma frase que uma vez juraste que nunca dirias. A linhagem gosta destas pequenas surpresas.

Agora já podes olhar esta história com a experiência que tens hoje e ver coisas para as quais na altura simplesmente não tinhas palavras.

4. O que ficou não dito?

CartasÁs de Espadas · Rainha de Espadas · Dois de Espadas · Quatro de Espadas · Sete de Espadas

Em volta desta história há uma verdade que ficou muito tempo no silêncio. O Ás e a Rainha de Espadas pedem palavras claras, o Sete de Espadas traz um detalhe calado ou uma versão cómoda dos acontecimentos, e o Dois de Espadas guarda a regra familiar «é melhor não falar disso». O Quatro de Espadas sugere que o silêncio durou tanto que já começa a parecer parte da mobília.

Pode tratar-se de um segredo de família, de uma acusação não dita, de uma decisão tomada sem explicação, ou de uma pessoa que nunca teve a possibilidade de contar a sua parte. Também tu podes carregar palavras que retiveste porque querias guardar a paz.

O importante é ver que verdade tem significado para ti hoje. Isso pode ser uma conversa, uma pergunta a um familiar mais velho, a procura de um facto concreto, ou um reconhecimento pessoal: «Sim, isto marcou-me.» «Sim, isto feriu-me.» «Sim, já entendo porque reajo assim.»

5. O que continua inacabado?

CartasO Mundo · Dez de Paus · A Justiça · Quatro de Ouros · Oito de Ouros

Ficou uma responsabilidade que alguém continua a carregar. O Mundo quer o fim do ciclo, A Justiça traz documentos, património, uma promessa, uma dívida ou uma questão de justiça, e o Quatro de Ouros guarda aquilo que a família larga com dificuldade — dinheiro, uma casa, objetos, controlo ou uma posição antiga.

O Dez de Paus mostra uma carga que pode ter passado de uma pessoa para outra. «Eu tenho de resolver tudo.» «Eu tenho de cuidar de todos.» «Eu tenho de guardar a casa.» «Eu tenho de ser o sensato.» O Oito de Ouros pede agora trabalho concreto, que pode ser acabado passo a passo.

Esta posição vai mostrar o que é de verdade teu para terminar e o que carregaste só porque ninguém antes de ti decidiu onde o pôr.

6. Que padrão continua a repetir-se?

CartasO Diabo · Cinco de Paus · Nove de Espadas · Sete de Copas · Cinco de Ouros

O padrão está ligado ao medo, à culpa, ao conflito ou à dependência de um papel familiar conhecido. O Diabo liga com força àquilo que a pessoa conhece, o Cinco de Paus devolve a luta, o Cinco de Ouros guarda o medo da falta, e o Nove de Espadas traz a inquietação que com gosto faz também turnos da noite. O Sete de Copas acrescenta as ideias familiares sobre como deve ser o «bom» filho, a filha, o pai, o amigo ou o companheiro.

Podes assumir demasiado, porque foi assim que aprendeste o amor. Evitar o conflito, porque em tua casa era perigoso. Apertar o dinheiro demasiado, porque uma vez não chegava. Sentir culpa quando vives melhor do que as pessoas antes de ti. Escolher pessoas de quem tens de cuidar, porque esse papel te é conhecido.

Assim que reconheces o padrão uma vez, começas a ver quantas vezes lhe chamaste simplesmente «eu sou assim».

7. O que do passado vale a pena guardar?

CartasA Estrela · A Temperança · A Força · Seis de Ouros · O Sol

O passado traz também um recurso verdadeiro. A Estrela dá a capacidade de começar de novo, A Temperança traz a medida, e A Força é aquela resistência que a pessoa muitas vezes só entende quando a vida a pede. O Seis de Ouros fala de ajuda mútua, generosidade e capacidade de partilhar, e O Sol traz vitalidade, talento, alegria e aquela qualidade de família de que podes dizer com razão: «Bem, ao menos isso fizemos bem.»

Podes ter recebido gosto pelo trabalho, sentido de humor, um talento, coragem, a capacidade de começar do zero, jeito para o dinheiro, amor pelo saber ou um forte sentido de pertença. Essa é a parte da história que merece continuar.

A tua linhagem deixou-te mais do que lições difíceis. Deixou-te também ferramentas.

8. Qual é a tua tarefa agora?

CartasO Mago · O Carro · Cavaleiro de Espadas · Rainha de Ouros · Dois de Ouros

A tua tarefa é fazer uma coisa concreta de outra maneira. O Mago dá-te o direito de criar a tua própria resposta, O Carro e o Cavaleiro de Espadas pedem movimento e uma conversa, e a Rainha de Ouros devolve as decisões à vida real. O Dois de Ouros procura um novo equilíbrio entre as necessidades da família e as tuas.

Talvez tenhas de dizer algo que há muito adias. Pedir ajuda. Recusar um papel que todos se habituaram comodamente a dar-te. Mudar a maneira como distribuis dinheiro e responsabilidades. Resolver um documento, um imóvel ou uma tarefa de família. Pôr um limite e depois aguentar os primeiros olhares de pessoas que não tinham nenhum plano de que tivesses um.

Quando uma pessoa muda o seu papel, toda a família o sente. Isso faz parte da mudança.

9. O que termina contigo?

CartasOito de Copas · Dez de Espadas · Cinco de Espadas · Quatro de Copas · Nove de Paus

Este é o coração desta variante. O Oito de Copas parte de um papel emocional já esgotado, o Dez de Espadas fecha um ciclo antigo, o Cinco de Espadas termina a luta constante, e o Quatro de Copas liberta de esperar que alguém dê finalmente aquilo que nunca deu. O Nove de Paus deixa atrás uma vida em alerta permanente para o próximo problema.

Contigo pode terminar a convicção de que o amor se ganha cuidando de todos. Que o dinheiro chega sempre com dificuldade. Que o sucesso cria inveja por obrigação. Que a proximidade exige sacrifício. Que se tem de ser forte e resolver tudo sozinho. Que a expectativa da família importa sempre mais do que a tua decisão.

Di-lo em voz alta: «Faço parte desta história e sou a pessoa que escolhe como ela continua.»

É o momento em que o guião antigo começa a perder poder sobre a cena seguinte.

10. Como muda a tua vida depois disso?

CartasO Louco · Ás de Paus · A Imperatriz · Três de Ouros · Seis de Paus

Depois de largar o papel antigo aparece mais lugar para a tua própria vida. O Louco abre uma direção nova, o Ás de Paus devolve vontade e energia, e A Imperatriz traz crescimento, criatividade e o direito de criar segundo as tuas próprias ideias. O Três de Ouros dá relações em que a responsabilidade pode ser partilhada, e o Seis de Paus traz a confiança de que a tua escolha tem direito a ser diferente.

Podes começar a querer, em vez de apenas dar. A escolher, em vez de cumprir automaticamente. A aceitar ajuda. A ganhar mais sem um pedido de desculpa interior aos antepassados. A criar casa e relações de uma maneira que faz sentido para ti.

A história continua através de ti, e já leva também a tua letra.

A prática «Três gerações, três frases»

Para esta prática precisas de três folhas e de um objeto pequeno que associes à casa — uma chave, um botão, uma pedrinha, uma taça pequena ou outra coisa comum. Não precisa de ser uma relíquia de família com certificado e retrato do bisavô de 1892. Basta que para ti traga uma sensação de casa.

Na primeira folha escreve «ANTES DE MIM», na segunda «EM MIM», e na terceira «DEPOIS DE MIM». Dispõe-nas uma após a outra e põe o objeto sobre a primeira.

Em «ANTES DE MIM» anota uma regra que reconheces na tua família: «O dinheiro ganha-se com dificuldade», «Pela família aguenta-se», «Tenho de ser forte», «Dos problemas não se fala», «Primeiro os outros». Escolhe apenas uma regra que conheces de verdade da tua vida.

Passa o objeto para «EM MIM» e escreve como essa regra se mostra em ti hoje. Se a regra familiar é «tenho de ser forte», podes escrever: «Não peço ajuda até já estar exausto.» Se é «o dinheiro ganha-se com dificuldade», pode ser: «Desconfio de cada oportunidade fácil, ou sinto culpa quando ganho bem.»

Depois passa o objeto para «DEPOIS DE MIM» e termina uma frase com «Sou…». Por exemplo: «Sou a pessoa que aceita ajuda.» «Sou livre de ganhar bem.» «Sou a pessoa que fala das coisas difíceis.» «Sou capaz de amar a minha família e de viver a minha própria vida.»

Deixa o objeto na terceira folha durante sete dias. Cada dia faz uma ação pequena que corresponda à regra nova. Se escreveste que aceitas ajuda, pede-a pelo menos uma vez. Se falas mais abertamente, diz um desejo teu. Se escolhes o teu próprio tempo, liberta pelo menos uma hora para algo teu.

Assim a regra nova começa a ter uma vida real.

Cinco perguntas à memória da família

Se tiveres alguém próximo com quem possas falar, escolhe uma conversa e faz cinco perguntas: «De que tinham mais medo as pessoas da nossa família?» «O que era considerado um grande sucesso?» «De que não se falava?» «Quem assumia sempre a responsabilidade?» «Que boa qualidade se repete através das gerações?»

Ouve as respostas sem as corrigir. Depois compara-as com as tuas próprias memórias. Três gerações podem contar o mesmo acontecimento como três filmes diferentes, e muitas vezes é essa a parte mais interessante.

Se não houver com quem ter a conversa, responde segundo o que sabes. O lugar vazio também diz muito, sobretudo numa família que transformou o silêncio em tradição quase oficial.

O ritual «Três chamas»

Para esta variante usa três velas brancas pequenas, postas sobre uma base segura à distância umas das outras. A primeira é «AQUILO QUE RECEBI», a segunda «AQUILO QUE VIVO», e a terceira «AQUILO QUE ESCOLHO CONTINUAR».

Acende a primeira vela e nomeia três qualidades que recebeste da tua família. Podem ser força, gosto pelo trabalho, sentido de humor, um talento, persistência, cuidado, ou a capacidade de começar do zero. Depois diz: «Estou grato pela força que chegou até mim.»

Acende a segunda vela e nomeia um padrão que reconheces na tua vida agora. Di-lo de forma simples e sem explicações. Depois pronuncia: «Sou a pessoa que vê este padrão e já pode escolher.»

Depois acende a terceira vela e diz como queres que a história continue através de ti. Formula-o com «Sou…»: «Sou livre de viver com mais leveza.» «Sou capaz de pôr limites.» «Sou a pessoa que aceita amor sem culpa.» «Sou livre de criar uma vida diferente.»

Deixa as três velas arder alguns minutos sob o teu olhar. Apaga primeiro a primeira, depois a segunda, e deixa a terceira arder sozinha um pouco mais. O sentido é simples: o passado deu o seu, o presente é o lugar da escolha, e daí em diante continua aquilo que conscientemente queres levar.

No dia seguinte faz uma ação real na mesma direção. Sem ela, até a chama mais bonita fica apenas numa noite bem iluminada.

Uma afirmação para esta variante

Durante sete dias diz uma vez por dia: «Faço parte da minha história e sou livre de escolher como ela continua através de mim.»

Esta tiragem pode devolver um tema de família, uma amizade, um conflito, uma culpa ou um acontecimento do passado, e a sua resposta mais valiosa é ajudar-te a entender o que é de verdade teu e o que carregaste durante muito tempo só porque a história começou antes de ti.

A tua linhagem deu-te um começo, muitas qualidades e alguns guiões a mais. De ti em diante tens o direito de decidir quais continuam.

No Jogo da AlmaSe esta variante abrir um tema de família ou de linhagem mais fundo, a continuação natural é A Linhagem. Se sentires que o tema se repete ao longo de toda a tua vida, olha-o também em Karma. E se reconheceres uma culpa, um papel ou uma história antiga que já estás pronto a deixar, continua com Deixar ir.

O teu sinalA cena é antiga, e o ator hoje tem direito a um texto novo.

4 · O sonho que regressa

Esta variante é para um desejo que uma vez foi inteiramente verdadeiro e depois ficou em algum lugar entre as decisões sensatas, as tarefas do dia a dia e aquele querido «faço-o quando chegar a hora». Pode ser uma profissão, um talento, uma viagem, uma mudança de casa, estudar, criação, um projeto teu, ou toda uma maneira de viver que querias para ti. Agora o sonho volta a lembrar-se de si, e as cartas olham porque é que regressa justamente neste período, que parte dele ainda é tua, o que deixaste de desenvolver, que medo antigo pode levar-te outra vez para trás, e o que começa se desta vez lhe deres um lugar verdadeiro na tua vida.

A pergunta principal é: «Que desejo meu regressa e desta vez estou pronto a segui-lo?»

1. Que desejo teu regressa?

CartasA Estrela · O Julgamento · Ás de Paus · Seis de Copas · Pajem de Paus

A Estrela devolve um sonho que uma vez foi importante para ti, e O Julgamento chama-o do passado com a sensação de que a história ainda tem continuação. O Seis de Copas leva a uma versão mais antiga de ti mesmo — ao período em que querias isto com mais coragem, mais simplicidade e com menos explicações sobre o momento não ser o adequado. O Ás de Paus e o Pajem de Paus devolvem a faísca, a curiosidade e a vontade de te mexeres outra vez nessa direção.

Pode regressar um talento que há muito não usas, uma profissão em que uma vez pensaste a sério, uma ideia de trabalho teu, outro país, um palco, a escrita, a fotografia, a música, estudos, ou uma maneira de viver que estava muito mais perto de ti há anos. É possível que o sonho antigo já tenha uma forma nova. A vontade do palco pode hoje ser a necessidade de falar diante de pessoas. O sonho de outro país pode ter-se tornado necessidade de um ambiente novo e de mais liberdade. A ideia de um negócio próprio pode ter ficado como vontade de decidires tu como usas o teu tempo.

Vais reconhecer o tema verdadeiro pela tua reação. Há desejos de que uma pessoa fala com sensatez, e outros em que o seu rosto muda já na primeira frase. São justamente os segundos que merecem atenção.

2. Como te vai lembrar de si?

CartasPajem de Ouros · Três de Paus · Oito de Paus · Cavaleiro de Paus · O Mago

O sonho vai regressar por um motivo real. O Pajem de Ouros traz um curso, uma proposta, um anúncio, uma formação ou informação concreta, o Três de Paus abre o tema da viagem, do estrangeiro e de um horizonte novo, e o Oito de Paus acelera os acontecimentos. O Cavaleiro de Paus traz o impulso de partir, de te candidatares, de verificar, de te inscreveres ou simplesmente de dar o primeiro passo, e O Mago lembra que já tens mais ferramentas do que tinhas antes.

Podes encontrar uma pessoa que faz justamente aquilo que tu querias uma vez. Ver um lugar e imaginar-te logo ali. Ouvir falar de um lugar vago, de um programa, de um curso ou de um projeto. Encontrar um ficheiro antigo, uma fotografia, um caderno, um instrumento ou uma ideia e lembrar-te de repente porque é que uma vez o querias tanto.

O mais importante é a primeira reação. Se em ti aparecer rápido um «quero», guarda-o. Alguns segundos depois chega a razão com uma pasta, um orçamento e uma lista de objeções. É uma funcionária muito consciente.

3. Porque é que o desejo regressa agora?

CartasO Eremita · O Pendurado · A Sacerdotisa · A Roda da Fortuna · A Morte

Na tua vida termina ou já terminou uma etapa que ocupou muito espaço durante muito tempo. A Morte e A Roda da Fortuna trazem uma mudança depois da qual as prioridades antigas começam a parecer diferentes. O Eremita dá experiência, O Pendurado muda o ponto de vista, e A Sacerdotisa devolve aquele saber interior que ficou muito tempo tapado por deveres e necessidades alheias.

Hoje conheces-te melhor. Sabes o que podes, o que já não queres adiar e com que rapidez passa o tempo enquanto esperamos «um período mais adequado». Podes ter fechado um trabalho, uma relação, uma responsabilidade de família ou um período em que viveste sobretudo segundo o necessário. Quando o lugar se liberta, o desejo antigo dá logo sinal.

Regressa agora porque a pessoa que o olha hoje tem muito mais experiência do que aquela que o deixou há anos.

4. O que calaste diante de ti mesmo?

CartasRainha de Paus · Ás de Espadas · Quatro de Copas · Sete de Copas · Dois de Espadas

Há muito conheces pelo menos parte da resposta. A Rainha de Paus traz a vontade de viver com mais liberdade, mais criatividade e segundo a tua própria natureza, e o Ás de Espadas quer que o reconheças com clareza. O Quatro de Copas dá insatisfação com algo que já não te basta, o Dois de Espadas retém a decisão, e o Sete de Copas cria tantas variantes que uma pessoa pode passar anos a ponderar o seu sonho com grande estilo.

Podes ter dito que o momento não era adequado, que os meios não chegavam, que estavas atrasado, que primeiro há que terminar mais algumas tarefas, ou que outras pessoas precisavam de ti. Parte destas razões pode ser inteiramente real. A pergunta é qual delas ainda vale hoje e qual simplesmente continua a repetir a sua frase antiga.

Há um desejo que não perdeste. Mais depressa te habituaste a deixá-lo mais atrás.

5. O que deste sonho ficou inacabado?

CartasOito de Ouros · Três de Ouros · O Mundo · Dez de Paus · Quatro de Ouros

O inacabado está ligado a ti mesmo — a uma competência, a um talento, a uma preparação ou a uma parte do caminho que começaste e depois deixaste. O Oito de Ouros fala de algo que já praticaste e desenvolveste, o Três de Ouros dá uma formação, trabalho com outras pessoas ou um projeto, e O Mundo sugere que estiveste mais perto do fim do que hoje te parece.

Podes ter uma língua que estudaste e quase esqueceste, um manuscrito a meio, um curso não terminado, um portefólio antigo, um instrumento musical, uma fotografia que abandonaste, ou uma ideia para a qual uma vez estavas muito melhor preparado. O Quatro de Ouros guarda aquilo que ainda tens — conhecimentos, materiais, contactos, experiência, equipamento ou uma ideia guardada. O Dez de Paus sugere que paraste quando a vida ficou demasiado pesada e o sonho recebeu o honroso último lugar da lista.

Olha o que já construíste. Pode vir a mostrar-se que o caminho para a frente começa em algo que há muito tens nas mãos.

6. Que medo antigo pode parar-te outra vez?

CartasO Diabo · A Lua · Nove de Espadas · Cinco de Ouros · Sete de Paus

O medo está ligado à segurança, à opinião dos outros e à sensação de que primeiro se tem de estar completamente pronto. O Diabo puxa para o conhecido, A Lua pinta os perigos mais variados, o Nove de Espadas produz cenários com um excelente turno da noite, e o Cinco de Ouros faz as perguntas sobre dinheiro e estabilidade. O Sete de Paus traz também o cansaço de defender o teu próprio desejo diante de pessoas que preferiam que ficasses exatamente como já te conhecem.

Podes ter medo do fracasso, da perda de dinheiro, da crítica, de um começo novo, ou da ideia de estares atrasado. Há ainda outro medo que raramente se reconhece: o sucesso. Se o sonho arrancar de verdade, a vida vai pedir decisões novas, um ritmo novo e uma versão nova de ti. E a versão antiga gosta do sofá de sempre.

Esta posição vai dizer que medo é real e qual já vive mais por hábito.

7. Que parte do sonho merece uma segunda oportunidade?

CartasO Sol · A Temperança · A Força · A Imperatriz · Ás de Ouros

Merece uma segunda oportunidade aquela parte que ainda te faz sentir mais vivo. O Sol traz alegria e sensação de sentido, A Temperança encontra uma forma que pode entrar na tua vida de agora, A Força dá resistência, e A Imperatriz devolve a energia criativa e a vontade de criar. O Ás de Ouros dá a essa parte do sonho a possibilidade de receber uma forma real.

Pode tornar-se profissão, um projeto paralelo, um ambiente novo, uma formação, uma viagem, ou simplesmente mais tempo para algo de que sentias falta. O importante é descobrir que núcleo ainda está vivo. Pode ser a criação, a liberdade, o movimento, o estudo, o teu próprio tempo, o palco, o ambiente novo, ou a sensação de fazer algo que é de verdade teu.

Um sonho tem direito a mudar de forma. O seu sentido pode ficar o mesmo.

8. Que passo concreto tens de dar?

CartasO Carro · O Imperador · Rei de Paus · Rainha de Ouros · Seis de Paus

Esta posição pede um plano com data. O Carro dá movimento, O Imperador cria estrutura, o Rei de Paus toma a iniciativa, e a Rainha de Ouros olha o tempo, o dinheiro e os recursos. O Seis de Paus quer que reconheças diante de ti que o desejo merece um lugar verdadeiro no calendário.

Se for uma formação, encontra o programa e o prazo de candidatura. Se for uma mudança de casa, escolhe um lugar e verifica as despesas concretas. Se for criação, termina um trabalho e mostra-o. Se for uma profissão, descobre o que te falta para a primeira candidatura. Se for uma viagem, escolhe um período e calcula o orçamento. Se for um projeto teu, faz a primeira versão, mesmo longe da perfeição.

Este sonho viveu tempo suficiente na coluna «um dia». Dá-lhe uma data.

Diz a ti mesmo: «Estou pronto para dar um passo real para a vida que quero.»

9. Que versão antiga do sonho deves deixar?

CartasOito de Copas · Dez de Espadas · Cinco de Copas · Cinco de Espadas · Quatro de Espadas

A versão antiga do sonho pode já não corresponder à pessoa que és. O Oito de Copas parte de uma imagem que cumpriu o seu papel, o Dez de Espadas fecha um guião antigo, o Cinco de Copas liberta o arrependimento pelo tempo perdido, e o Cinco de Espadas deixa atrás as comparações com pessoas que começaram mais cedo. O Quatro de Espadas dá uma pausa em que podes ouvir o que queres hoje.

Talvez uma vez quisesses uma profissão determinada, e hoje procures a liberdade que associavas a ela. Talvez sonhasses com um país concreto, e agora queiras mais espaço e um ambiente novo. Talvez imaginasses um grande negócio, e hoje preferes algo mais pequeno, duradouro e teu. Talvez quisesses reconhecimento, e agora dês valor ao tempo.

Um sonho tem direito a crescer contigo. A pessoa que o pensou há anos começou a história. A pessoa que és hoje decide como ela continua.

10. Que vida começa se o seguires?

CartasO Louco · Nove de Ouros · Dez de Ouros · Três de Copas · Dois de Paus

O Louco abre um período novo com mais liberdade e curiosidade, o Nove de Ouros dá autonomia e confiança nas tuas próprias competências, e o Dez de Ouros traz firmeza e a sensação de que crias algo com futuro. O Três de Copas acrescenta pessoas novas e um ambiente com mais interesse partilhado, e o Dois de Paus devolve o horizonte e a sensação de que à tua frente há outra vez escolhas.

A mudança vai ver-se melhor num dia comum. Com que pensamento acordas, o que está na tua agenda, a que dedicas tempo, com quem falas e o que esperas com vontade. Podes ter outra profissão, mais viagens, uma cidade nova, um projeto teu ou simplesmente algumas horas por semana que já são de verdade tuas.

A mudança mais valiosa é a sensação de participares outra vez de forma ativa na tua própria vida. É uma posição bastante boa, e nem sequer tem período experimental.

A prática «Um bilhete para a vida que quero»

Pega numa folha mais grossa e faz dela o teu bilhete simbólico. Na parte de cima escreve «PARTIDA: HOJE», e abaixo «DIREÇÃO:», acrescentando o sonho em duas ou três palavras: «projeto meu», «Itália», «nova profissão», «escrita», «palco», «mestrado», «mais viagens».

Depois escreve «DATA DA PARTIDA» e escolhe uma data real nos próximos trinta dias. Até esse dia tens de ter um passo visível. Numa formação pode ser um documento entregue, numa mudança de casa uma viagem organizada para ver o lugar, na criação um trabalho enviado, num negócio uma primeira proposta ou um orçamento real, numa viagem uma reserva ou um orçamento concreto.

Debaixo da data escreve «BAGAGEM» e anota três coisas que já levas contigo: uma competência, experiência, um contacto, um recurso, uma qualidade ou um conhecimento. Depois acrescenta «PREÇO DO BILHETE» e escreve o que esta direção te vai pedir — tempo, dinheiro, estudo, risco, uma mudança no dia a dia, ou deixar parte do conforto.

No fim assina e escreve: «Estou pronto a partir quando o meu desejo encontrar a minha ação real.»

Deixa o bilhete num lugar que vejas até à data escolhida. Em 72 horas dá o primeiro passo pequeno. Um bilhete sem partida continua a ser um bilhete, mas sobretudo é um pedaço de cartão bastante bonito.

Sete dias atrás do sonho

Depois do bilhete dá ao teu desejo sete dias de vida real. Cada dia faz uma ação pequena ligada a ele. Um dia procura informação, no seguinte envia um pedido, depois faz uma lição, escreve uma página, verifica uma zona, calcula um orçamento, vê um programa, marca uma hora, faz uma fotografia, envia uma candidatura. A ação pode ser pequena, e tem de deixar rasto.

No sétimo dia olha o que fizeste e faz-te duas perguntas: «Quero continuar?» e «Qual é o meu próximo passo real?»

Se nestes sete dias o desejo começar a levar-te sozinho à ação seguinte, já tens uma resposta muito boa. Se cada passo pesa como uma obrigação, olha outra vez se o sonho precisa de outra forma.

Uma afirmação para esta variante

Durante sete dias diz uma vez por dia: «Estou pronto a dar lugar ao desejo que ainda é meu, e sou capaz de dar um passo real para ele.»

Esta tiragem olha que parte do desejo antigo ainda tem vida, como pode ser hoje, e o que muda quando começas a traduzi-lo do futuro para o presente.

O sonho regressa porque parte dele ainda é tua. A pergunta é se lhe vais dar mais um ano na coluna «um dia», ou se desta vez lhe vais dar uma data.

No Jogo da AlmaSe esta variante acordar um talento ou uma capacidade que queres desenvolver, a continuação natural é Dons. Se o desejo já te põe diante de uma escolha concreta sobre a direção seguinte, continua com A Encruzilhada.

O teu sinalUm sonho precisa de uma data muito mais do que de mais uma promessa.

✦ Uma troca de energia ✦

O universo ouve aquilo que dás

Tudo o que fazes de coração — uma palavra, uma ação, um donativo — regressa. Chega no momento em que se juntou o suficiente. Se estas palavras chegaram até ti e algo nelas reconheceu algo em ti, então vieram exatamente a tempo.

E se tiveres vontade de devolver um pouco dessa energia, qualquer quantia é recebida com gratidão e transforma-se em conteúdo novo, tiragens novas, palavras novas que vão chegar a alguém que delas precisa justamente hoje. Assim o círculo continua.

✦ Dar com gratidão ✦

Se quiseres que continuemos juntos

Se a tua história soou conhecida e queres que a olhemos mais de perto — pessoalmente, para o teu caso — escreve-me para imperatrice.eu@gmail.com. Conta-me em poucas palavras que variante escolheste e o que regressa a ti neste momento.

E se quiseres caminhar com a tua pergunta todos os dias, o lugar para isso é FatedWays · O Jogo da Alma — as salas, a mensagem diária e um caminho que se lembra de tudo o que perguntaste. Os regressos desta tiragem têm as suas salas: Amor, Dinheiro, A Linhagem, Karma, Dons, Deixar ir, A Encruzilhada e O Mestre celeste.

E se ainda não sabes o que exatamente regressa, começa pelo teste «O que do passado bate à tua porta?» — seis imagens, seis histórias e uma prática para cada uma.

A conversa

Escrito por

Vanya Vuchkova

taróloga e quiromante, criadora do FatedWays

Tiragem de tarô escrita →